“Acessibilidade – Ver o mundo com outros olhos!”

Protótipo Medium-Fi

Após ter publicado na semana passada um protótipo Lo-Fi (um rascunho pouco detalhado do sistema), esta semana publico um protótipo Medium-Fi. Este, embora não traga novidades em relação ao anterior, é mais detalhado e é baseado nas fotos que já foram tiradas para o posterior desenvolvimento do projecto no Macromedia Flash.

Este protótipo, como é óbvio, pode vir a sofrer várias alterações, sendo, por isso, necessário tirar novas fotos. No entanto, neste momento é importante publicar o trabalho feito até aqui para mais facilmente se perceber o aspecto, a forma como será conduzida a interacção do utilizador com o sistema e a apresentação dos conteúdos do mesmo.

Mais uma vez foi necessário publicar o protótipo num ficheiro Powerpoint, sendo, por isso, necessário fazer o download do mesmo.

Download aqui: prototipomedium-fi.ppt

“Acessibilidade – Ver o mundo com outros olhos!”

Protótipo Lo-Fi do sistema

Download aqui: prototipolo-fi.ppt

O protótipo Lo-Fi aqui apresentado é apenas um esboço feito em papel da interface do sistema. É, assim, um protótipo de baixa fidelidade (Lo-Fi), ou seja, um esboço aproximado, onde faltam muitos detalhes.

Nota: devido ao mau funcionamento do WordPress em relação a inserir várias imagens nos artigos, disponibilizo o protótipo em formato ppt (PowerPoint).

 

“Acessibilidade – Ver o mundo com outros olhos!”

Actualização do Modelo Conceptual

Nota: o artigo seguinte apresentará um protótipo Lo-Fi do sistema. Nesta fase, o protótipo é apenas apresentado como rascunho, sendo que na próxima semana conto publicar um protótipo mais detalhado, composto pelas fotografias mencionadas neste artigo e realizado em Macromedia Freehand.

Em primeiro lugar, é necessário focar o facto de ter sido obtida uma resposta negativa por parte da Escola EB 2,3 de Gomes Teixeira. Neste sentido, foi contactado o Colégio Luso-Francês do Porto, que prontamente marcou uma reunião com a sua Direcção para a próxima segunda-feira, dia 15 de Outubro.

Como referi no primeiro artigo referente ao Modelo Conceptual, o sistema será composto por duas secções, em que a primeira será uma introdução ao tema (acessibilidade) e a segunda uma breve descrição do mesmo.

Assim, o utilizador ao “entrar” no cd-rom visualizará automaticamente a introdução, sendo que poderá “saltar” a mesma (skip intro) a qualquer altura, passando, então, para a secção mais explicativa do sistema. Na introdução, o utilizador poderá ver uma espécie de “filme” introdutório ao conceito. Esta será, pois, uma narrativa linear sem grande necessidade de interacção por parte do utilizador, que apenas poderá “saltar” a introdução caso deseje.

Em todo o sistema, serão utilizadas metáforas relativas à escola e que remetem para o carácter educativo do cd-rom. Neste sentido, o design será constituído pelo quadro e pelo giz, utilizados nas escolas para fornecer informações aos alunos durante as aulas. Com o objectivo de conceder ao sistema um carácter real, serão tiradas fotos a um quadro nos diversos frames necessários ao desenvolvimento do projecto. Assim, não só o fundo (quadro) será real, como a tipografia (uso do giz para escrever no quadro o pretendido), as animações e as cores (uso do giz nas diversas cores). Na introdução do sistema, todos os frames serão constituídos, portanto, por fotos reais, embora posteriormente estas sejam trabalhadas no Macromedia Flash para lhes ser dada a apresentação e os comportamentos pretendidos.

A primeira secção do cd-rom será composta por 12 frames, sendo que todos eles serão constituídos por, basicamente, os mesmos elementos: o quadro como fundo, o elemento fulcral de cada frame no centro do mesmo e a representação de um giz (a saltar) no centro inferior direito, o que servirá para o utilizador “saltar” a introdução. Todos os elementos (texto e imagem) serão produzidos directamente no quadro e, no decorrer da apresentação, surgirão como se estivesse, a ser produzidos no momento. Por exemplo, a expressão “Era uma vez…” (que aparece em todos os frames que introduzem uma imagem, animação ou som e a sua posterior descrição) será apresentada letra a letras. Isto contribuirá para atingir o objectivo de criar uma interface similar e familiar a uma entidade física, ou seja, neste caso, à escola em si.

Na segunda secção do sistema, serão também utilizadas fotos do quadro e o aspecto do sistema manter-se-á consistente com a introdução. No entanto, nesta secção o objectivo é o conciliar o real com o virtual, havendo, por isso, aspectos em que se continua a recorrer ao giz e outra (uma pequena janela onde surgirão os conteúdos de cada item do menu) onde os conteúdos e o seu aspecto serão produzidos virtualmente. Assim, o fundo será constituído pelo quadro (que se mantém uma constante ao longo de todo o sistema) e o nome do sistema assim como o menu serão escritos no quadro com giz, tal como na primeira secção do cd-rom. Ao passar-se com o cursor por cima de cada item do menu, este ficará sublinhado com a cor que lhe estará inerente. Ao clicar no item, este ficará sublinhado enquanto o utilizador consulta o seu conteúdo, o que permitirá que este se situe, sabendo sempre onde está e o que está a visualizar. As cores utilizadas serão quentes e apelativas como o amarelo, o laranja, o cor-de-rosa, o verde escuro ou outras. Também o sublinhado será produzido no próprio quadro e, consequentemente, nas fotos utilizadas para a realização do cd-rom. Ao clicar no item pretendido, o utilizador poderá ver o conteúdo do mesmo numa pequena janela do lado esquerdo do menu (situado no lado direito da interface, na horizontal), sendo que não será aberta uma nova janela para a apresentação dos conteúdos. No primeiro frame da segunda secção, onde é apresentado pela primeira vez o menu, esta janela estará preenchida pelos símbolos referentes à acessibilidade (o símbolo do mundo físico e o dos sítios web acessíveis). Os conteúdos serão compostos por texto, imagem (pequenas infografias) e, caso necessário, setas que permitam ao utilizador avançar ou recuar nos conteúdos. Para além do mapeamento de cores ser feito através do sublinhado, é necessário realçar o facto de o fundo da pequena janela mudar segundo o item em questão e a cor que lhe está inerente.

Em relação aos itens do menu, os nomes atribuídos no protótipo apresentado no artigo seguinte poderão ser alterados, assim como a sua disposição.

As infografias serão estáticas e apresentadas os seguintes conteúdos: definição de “cidadãos com necessidades especiais” numa pequena secção referente às estatísticas da população portuguesa e “Acessibilidade e Computador” na referência às ajudas técnicas.

Como já foi dito no primeiro modelo conceptual, o design do sistema será, assim, simples e minimalista, não se pretendendo que este tenha um aspecto muito “infantilizado”, pois o público-alvo está na pré-adolescência, fase onde há uma enorme ânsia de crescer, de deixar de ser conotado como “criança”.

Sapo.pt 4 – Teste com utilizadores

Objectivo:

– Localizar vários serviços do Portal Sapo, entre eles: informação sobre o programa “Magazine Mulher” do canal televisivo SIC Mulher (objectivo 1); a “História da vinha e do vinho” na secção de “Vinhos” (objectivo 2); notícias locais relacionadas com o concelho da Madalena na ilha do Pico (objectivo 3) e, por último, a secção de “Nutrição” (objectivo 4).

Metodologia:

Foi utilizada a metodologia “Field Observation”, a mais utilizada pela eficácia do seu teste e facilidade na realização do mesmo na análise da usabilidade de sistemas interactivos. Esta metodologia tem como característica principal o facto de o utilizador ser observado a interagir com o sistema num ambiente natural, sendo que a pessoa submetida a observação interage com o sistema em cada tarefa que lhe é proposta à vontade, sem intervenção do observador. O inquirido tem, portanto, plena consciência de que está a ser observado e que os seus passos estão a ser registados para posterior avaliação.

Neste teste, recorreu-se a dois indivíduos com idades compreendidas entre os 20 e 22 anos, que tinham experiência de navegação na Internet. Foi-lhes, assim, pedido que testassem a facilidade de acesso na página web que lhes foi dada (o Portal Sapo) aos serviços referidos no tópico “Objectivos”.

Métrica:

A métrica usada neste trabalho foi:

1 – Número de cliques que cada utilizador deu até atingir o objectivo final;

2 – Quantidade de vezes que o utilizador errou; Nota: por cada 5 cliques desviados do objectivo final que o utilizador der é considerado um erro e o utilizador é colocado no passo que tentava encontrar, sendo-lhe pedido que continue a pesquisa a partir desse ponto.

3 – Tempo médio que o utilizador demorou a atingir o objectivo.

Técnicas de registo:

A técnica de monitorização (observação e registo) utilizada foi a análise de protocolo (registo de acções do utilizador), completada por uma tabela auxiliar de registo, onde foram anotadas as acções do utilizador (número de cliques, de erros e tempo médio).

Objectivo 1:

Home -> Vida e Lazer (Mulher) -> SIC Mulher -> Magazine Mulher

Objectivo 1

Passo (1) Passo (2) Passo (3)
Utilizador 1  
Cliques 2 1 1
Erros        
Tempo Médio 2m53s
Utilizador 2  
Cliques 2 1 1
Erros        
Tempo Médio 0m47s

Notas:

– Embora o utilizador 1 não tenha errado nenhuma vez e tenha alcançado o objectivo pretendido apenas com 3 cliques, ao observar o tempo médio da acção podemos perceber que este se sentiu perdido na elevada quantidade de menus e informação fornecida na página inicial do portal, tendo andado à procura da opção correcta para chegar ao destino pretendido.

– Ambos os utilizadores, ao ser-lhes dada a indicação de que o “Magazine Mulher” seria um programa do canal SIC Mulher, escolheram automaticamente o serviço “Televisão” indicado num dos menus do centro da homepage. Porém, ambos utilizaram o botão “Voltar” do browser para recuar à página inicial, tendo depois escolhido a opção “Mulher” no menu lateral “Vida e Lazer”. No entanto, o utilizador 1 perdeu muito tempo no serviço “Televisão” e, por isso, demorou quase 3 minutos a efectuar a operação proposta.

Objectivo 2:

Home -> Vida e Lazer (Restaurantes) -> Vinhos -> História da Vinha e do Vinho

Objectivo 2

Passo (1) Passo (2) Passo (3)
Utilizador 1  
Cliques 1 1 1
Erros      
Tempo Médio 1m10s
Utilizador 2  
Cliques 2 1 1
Erros      
Tempo Médio 0m55s

Notas:

– Mais uma vez, os utilizadores mostraram-se confusos e perdidos na imensa informação fornecida na página inicial do portal em análise.

– O utilizador 1 demorou quase 1 minuto a perceber onde estava a secção de “Vinhos”, tendo, depois, optado pelo serviço correcto, ou seja, “Restaurantes” no menu “Vida e Lazer”.

– Quanto ao utilizador 2, este começou por escolher a secção “Cultura” (menu lateral “Vida e Lazer”), tendo, depois, utilizado o clique sobre o logótipo do site para voltar à página inicial, onde seguiu o caminho correcto para alcançar o objectivo final pretendido.

Objectivo 3:

Home -> Notícias (Local) -> Açores -> Madalena (Ilha do Pico)

Objectivo 3

Passo (1) Passo (2) Passo (3)
Utilizador 1  
Cliques 3 1
Erros      
Tempo Médio 0m50s
Utilizador 2  
Cliques 1 1
Erros      
Tempo Médio 0m35s

Notas:

– Nesta operação, o utilizador 1 precisou de 3 cliques no primeiro passo, pois optou por, numa primeira fase, escolher a opção “Mais notícias” no sub-menu do menu “Notícias” ao centro da página inicial. Porém, utilizou, depois, o botão “Back” do browser para voltar à página inicial, onde, no menu “Notícias” lateral, escolheu a opção correcta.

– É importante realçar o facto de nenhum dos utilizadores ter necessitado de passar pelo mapa português fornecido pelo sistema, visto o sistema reconhecer que no computador utilizado já tinha sido escolhida a opção “Açores” e “Madalena” (ilha do Pico). Assim, o sistema assume as notícias locais da primeira escolha, sendo necessário alterar a opção para consultar as notícias de outras zonas do país. Isto pode dar origem a alguma confusão por parte do utilizador, visto as opções não serem consistentes. O utilizador pode, assim, sentir-se frustrado e perdido quando procura as notícias referentes a uma determinada região.  

Objectivo 4:

Home -> Directório -> Saúde -> Nutrição

Objectivo 4

Passo (1) Passo (2) Passo (3)
Utilizador 1  
Cliques 1 1
Erros      
Tempo Médio 0m30s
Utilizador 2  
Cliques 1 1
Erros      
Tempo Médio 0m20s

Notas:

– Nesta acção, ambos os utilizadores optaram por escolher a secção “Saúde” no menu lateral “Vida e Lazer”, acabando por chegar ao objectivo pretendido apenas com dois cliques.

– No entanto, é necessário notar que no menu do cimo da página (o menu da pesquisa), a opção “Directório” fornece igualmente o serviço “Saúde” e, consequentemente, o de “Nutrição”. Assim, considero que este seja o caminho mais curto, pois o menu da pesquisa é o primeiro a ser visto pelo utilizador quanto acede ao portal, fazendo com que este não tenha que utilizar o scroll para ter acesso ao menu lateral “Vida e Lazer”. Porém, esta acção foi bem executada por ambos os utilizadores, embora estes tenham enveredado por caminhos minimamente diferentes dos pretendidos.

Conclusões:

Após esta análise mais aprofundada do Portal Sapo e em que se recorreu a utilizadores para testar o mesmo, posso concluir, em primeiro lugar, que algumas questões levantadas na analise heurística se comprovaram, tendo, por outro lado, sido levantadas novas questões que, na altura do artigo já citado, não tinham sido consideradas relevantes.

Assim, é importante focar o facto de não serem dadas muitas “affordances” (pistas) ao utilizador tendo em conta o conteúdo de cada secção. É, pois, necessário ter em conta a importância de “affordances” num sistema que suporta e que oferece tantas informações e tão diferentes ao utilizador.

Para além disso, o excesso de menus na página inicial e o consequente excesso de informação, embora tenha como objectivo dar um maior controlo e liberdade ao utilizador, acabam por confundi-lo ainda mais, sendo, por isso, necessário, organizar a informação na página inicial, reduzindo, eventualmente, o número de menus e retirando as opções redundantes. No Portal Sapo é dada a possibilidade ao utilizador de alcançar o objectivo final tomando diferentes caminhos. No entanto, isto acaba por desorientar o utilizador. Por outro lado, gostava de focar a necessidade de, em conformidade com a diminuição de menus na página inicial, ser preciso a inserção de sub-menus nas páginas adjacentes aos menus principais. Todos estes aspectos levariam a uma maior prevenção de erros por parte do sistema e ajudariam o utilizador a encontrar a informação que necessita.

Como já havia sido focado no artigo onde foi apresentada a análise heurística do portal, o utilizador para voltar à página inicial (ou porque está perdido ou porque necessita de aceder a outro serviço que não o da página onde se encontra) tem que recorrer ao botão “back” do próprio browser. Embora o sistema dê a opção de voltar à página principal ao clicar no logótipo do site (no cimo da página), esta “affordance” não é suficiente visto nem todos os utilizadores associarem o logótipo à página inicial.

Em suma, penso que é óbvia a necessidade de melhorar o sistema em termos de organização de informação e de “affordances”, visto o utilizador não conseguir facilmente aceder aos conteúdos que necessita por reconhecimento, mas sim por lembrança.

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“Acessibilidade – Ver o mundo com outros olhos!”

Modelo Conceptual

Para a realização do modelo conceptual do projecto “Acessibilidade – Ver o mundo com outros olhos!” direccionado para crianças com idades compreendidas entre os 10 e 12 anos é necessário ter em conta três palavras/expressões chave já focadas no artigo anterior: acessibilidade, Formação Cívica e pré-adolescência. Assim, a planificação e desenvolvimento do produto terá em conta as características destes três factores.

Após ter apresentado no artigo anterior a maior parte da pesquisa em relação à inserção do projecto na disciplina de Formação Cívica e às características do público-alvo, chegou a altura de partir para o modelo conceptual do sistema. Para a sua realização parto de diversos pressupostos, também já focados no artigo anterior, mas que considero importante voltar a realçar. Em primeiro lugar, irá ser introduzido no conhecimento das crianças um novo conceito, ou seja o conceito de acessibilidade. Para melhor fazê-lo, foi escolhida a inserção do sistema na disciplina de Formação Cívica, que se assume como um espaço privilegiado para de educação para a cidadania, respeito mútuo e reflexão sobre a sociedade. Por fim, é necessário focar alguns aspectos (os mais pertinentes para o projecto em questão) que caracterizam as crianças na pré-adolescência. Assim sendo:

– estas crianças já sabem ler;

– estão numa faixa etária óptima para o uso de meios audiovisuais na educação e formação;

– têm grande motivação para o conhecimento e manuseio do computador, embora estejam a começar a viver as suas primeiras experiências educativas formais com o mesmo;

– não gostam de ser consideradas crianças pois têm um grande desejo de crescer;

– têm uma crescente preocupação social e sensibilidade para os sentimentos dos demais;

– são adeptas de cores, sons, movimentos e contos;

– organizam as informações em sistemas, relacionando-as no interior dos mesmos.

É, porém, necessário realçar o facto de ainda não ter sido obtida qualquer resposta por parte do estabelecimento de ensino contactado (Escola EB 2,3 de Gomes Teixeira). Assim, estes pressupostos de que agora parto podem ser substancialmente alterados quando tiver sido feito um contacto directo mais aprofundado com alunos e professores.

Como foi também referido no artigo de apresentação do sistema, este será composto por duas secções, em que a primeira será um introdução ao tema e a segunda uma breve descrição do mesmo. Assim, no menu inicial do cd-rom será dada a opção ao utilizador de escolher qual a secção que pretende “visitar”. No caso de escolher a primeira, o utilizador poderá ver uma espécie de filme introdutório ao conceito de acessibilidade. Esta secção terá como especial particularidade o facto de ser uma narrativa linear que irá ao encontro da preferência do público-alvo de adquirir informação no formato de um conto. Para além disso, nesta secção o utilizador não terá grande interacção com o sistema, sendo apenas possível “saltar” a introdução e passar para o segundo tópico do menu inicial.

Na segunda secção do cd-rom, o utilizador poderá encontrar um breve menu onde poderá aceder a conteúdos como a definição de acessibilidade; conceitos básicos como por exemplo “cidadãos com necessidades especiais” (definição e estatísticas da população portuguesa), “incapacidade”, “deficiência” e “ajudas técnicas”; a pessoa com deficiência e o computador e a acessibilidade na Internet (Consórcio World Wide Web, Web Accessibility Initiative e 10 concelhos para garantir a acessibilidade de uma página na Internet). De notar a especial atenção que será dada à linguagem na análise destes pontos, visto o público-alvo não estar familiarizado com estes conceitos. Será, portanto, uma linguagem simples, concisa, directa e extremamente descritiva, para além de se recorrer ao uso de imagens, animações e sons para mais facilmente chegar ao objectivo pretendido.

O design do sistema será simples e minimalista. Porém, não se pretende que este tenha um aspecto muito “infantilizado”, pois o público-alvo está numa fase de rejeição de sistemas denominados “para crianças”, visto ter uma enorme vontade de crescer. Porém, e como já foi dito, será utilizada uma linguagem adequada à faixa etária em questão, para além de se recorrer a imagens, animações, sons e cores quentes e apelativas como o amarelo e o laranja. Como é sabido, as crianças interessam-se mais por sistemas “coloridos”, por menus com um tipo de letra apelativo e por tamanhos de letra e de ícones maiores que o habitual. Será, portanto, feito um mapeamento de conteúdos tanto a nível cromático como em relação ao tamanho de letra. As metáforas utilizadas terão como objectivo criar uma interface similar e familiar a uma entidade física, sendo, por isso, baseadas na actividade escolar. Assim, serão utilizados objectos do dia-a-dia da criança na escola, como por exemplo o caderno, o livro, o lápis, etc. Isto realçará o carácter educativo do sistema. No entanto, será feito de uma forma subtil para que a criança não se sinta obrigada a memorizar e a apreender directamente os conteúdos, como normalmente acontece no ensino corrente.

Em suma, todo o sistema será manipulado directamente, sendo que o utilizador terá uma vasta liberdade de navegação e exploração do mesmo. O modo de interacção será, portanto, a navegação através de menus.

O conteúdo não terá como objectivo explicar em pormenor todos os conceitos e ideias relacionados com a acessibilidade, mas sim o de tentar incutir na criança a informação principal e básica sobre o assunto para que esta entenda a importância do mesmo nos dias de hoje.

Nota: para mais informações recomendo a consulta das referências citadas no artigo anterior.

“Acessibilidade – Ver o mundo com outros olhos!”

Contextualização

No âmbito do projecto final da disciplina de Ergonomia das Aplicações Multimédia, a minha proposta tem como objectivo a realização de um cd-rom de sensibilização para a problemática da acessibilidade nos dias de hoje. O público-alvo é constituído por crianças dos 10 aos 12 anos que frequentam o 2º ciclo do ensino básico. Para além disso, este projecto tem como objectivo integrar o cd-rom na disciplina de Formação Cívica, leccionada neste ciclo.

A escolha do formato cd-rom justifica-se pelo facto deste ser um elemento preponderante no ensino dos dias de hoje, proporcionando às crianças uma pedagogia inovadora e eficaz.

Foi estabelecido contacto com a Escola EB 2,3 de Gomes Teixeira, estando, neste momento, à espera de uma resposta por parte da mesma. Para o bom desenvolvimento do projecto é necessário estabelecer uma relação com professores e alunos em todas as fases do projecto.

Uma breve definição de acessibilidade

A acessibilidade descreve a qualidade do meio ambiente face à situação da pessoa com deficiência. Assim, um edifício, um computador ou uma informação é acessível se puder ser acedido por alguém com uma incapacidade ou deficiência.

A designação “Cidadãos com necessidades especiais” é utilizada para referenciar pessoas que por diversas razões se confrontam com limitações funcionais. É o caso dos idosos, acamados de longa duração e das pessoas com deficiência.

Quando nos referimos a conteúdos digitais, a acessibilidade está intimamente relacionada com a possibilidade que é dada ao indivíduo de ler a informação disponibilizada.

O W3C é o organismo responsável pelas recomendações mundiais relacionadas com a web. Em 5 de Maio de 1999, o W3C publicou o primeiro documento que serve de referência mundial para a acessibilidade na Internet. O documento tem como nome “Documento de acessibilidade de conteúdos de web 1.0” e está dividido em 65 pontos de verificação classificados por diferentes níveis de prioridades.

Contextualizando a Formação Cívica

No final dos anos noventa, o Governo assumiu como objectivo estratégico garantir uma educação de base para todos como fundamento de um processo de educação e formação ao longo da vida. O Ministério da Educação lançou, então, o “Documento orientador das politicas para o ensino básico” em 1998, em que manifesta o entendimento de que a escola deve assumir-se como um espaço privilegiado de educação para a cidadania e integrar na sua oferta curricular experiências de aprendizagem diversificadas.

Assim, os princípios orientadores da actual organização e da gestão curricular do ensino básico (definidos pelo Decreto-Lei nº6/2001 de 8 de Janeiro) visam a formação integral de todos os alunos, consagrando, entre outros aspectos:

– a criação de três áreas curriculares não disciplinares vocacionadas para trabalhar temas transversais: Área de Projecto, Estudo Acompanhado e Formação Cívica;

– a Formação Cívica como um espaço privilegiado para o desenvolvimento da educação para a cidadania, visando o desenvolvimento da consciência cívica dos alunos, como elemento fundamental no processo de formação de cidadãos responsáveis, críticos, activos e intervenientes, com recurso, nomeadamente, ao intercâmbio de experiências vividas pelos alunos e à sua participação, individual e colectiva, na vida da turma, da escola e da comunidade.

A Formação Cívica surge, assim, no contexto da reorganização curricular como um espaço de diálogo e reflexão sobre as experiências vividas, as preocupações sentidas e os temas e problemas relevantes da comunidade e da sociedade.

Objectivos da disciplina:

– Desenvolver competências necessárias ao exercício da cidadania;

– Promover atitudes de auto-estima, respeito mútuo e regras de convivência que conduzam à formação de cidadãos autónomos, participativos e civicamente responsáveis;

– Promover valores de tolerância e solidariedade;

– Estimular a participação dos alunos na vida da turma, da escola e da comunidade;

– Consciencializar os alunos para a importância das relações humanas e a existência de regras de conduta social;

– Reflectir sobre direitos e deveres dentro e fora da escola;

– Reflectir sobre a sociedade (cidadania, democracia, consciência cívica, solidariedade, discriminação, violência, respeito pela diferença.

Crianças dos 10 aos 12 anos de idade – Características

O público-alvo deste projecto é, em princípio, constituído por crianças sem necessidades especiais que frequentam o 2º ciclo do ensino básico, tendo, por isso, idades compreendidas entre os 10 e os 12 anos de idade. É, assim, necessário realçar o facto destas crianças estarem a entrar na chamada fase da “pré-adolescência”. De notar também o facto de ser possível encontrar nas turmas em estudo crianças com algumas necessidades especiais. Neste caso, irá ser feito tudo para enquadrar o sistema para a utilização por parte das mesmas.

Uma das principais razões que levou à escolha deste público-alvo foi o facto de as crianças terem o espírito aberto para novos assuntos, para as tarefas propostas e para a sua consecução, o que poderá facilitar os testes de utilizador. Para além disso, a criança é caracterizada pela sua sinceridade, o que pode permitir um mais fácil apuramento das suas ideias, opiniões e criticas. O fundamental neste projecto será proporcionar um ensino motivador, dinâmico, criativo e preciso nos seus objectivos, como forma de potenciar o crescimento individual de todos os intervenientes no projecto.

Características psicológicas:

– Nesta fase, a criança mostra-se feliz, simpática, tranquila, amável, sincera e amigável, embora, por vezes, manifeste breves e superficiais momentos de ira;

– Encontra-se livre de tensões e inclinada a uma fácil reciprocidade. Mostra-se independente e directa;

– Possui grandes desejos de agradar aos outros e compreende muito bem o próprio comportamento;

– Observa-se, nesta fase, uma maior amplitude de gostos e interesses, que se manifestam em todo o seu âmbito pessoal, familiar e social;

– Tem uma grande capacidade de protecção, projectada, especialmente, em crianças mais pequenas, animais, etc;

– Mostra uma maior actividade e prefere a companhia de outros, recusando a solidão;

– Gosta de discutir, mas não gosta que discutam com ela;

– Tem um grande sentido de justiça e horror à fraude;

– Super critica, tanto em relação a si como aos outros;

– Mostra-se mais altruísta;

– Não gosta que a consideram uma criança, pois tem um grande desejo de crescer;

– Denota-se um grande avanço no seu pensamento conceptual quanto á preocupação pelo valor de termos como justiça, lei, vida, lealdade, delito, etc;

– Possui um autêntico sentido do que é lógico;

– Entusiasmo expansivo e capacidade de tomar iniciativa;

– Sensível aos sentimentos dos demais e às atenções e interesses das pessoas que a rodeiam.

No âmbito escolar:

– A criança já sabe ler;

– É a fase das experiências;

– Possui um grande poder de assimilação. Gosta de memorizar, identificar ou reconhecer os factos. Custa-lhe, no entanto, conceptualizar ou generalizar;

– Tem períodos de atenção curtos e intermitentes, dai que goste mais de falar, contemplar, ler e escutar do que de trabalhar;

– Agrada-lhe a possibilidade de escolha e oferecendo-lhe várias tarefas para que seja ela mesmo a escolher leva a cabo o trabalho diligentemente;

– Os dados que melhor aprende são os que se ensinam sob a forma de contos, em que uma acção leva inevitavelmente a novas acções;

– São idades óptimas para o uso de material gráfico e meios audiovisuais, que se constituem como meios eficazes para a sua educação e formação;

– Nestas idades, as crianças são sensíveis à informação social.

A criança e o computador na educação

A capacidade para as aprendizagens colaborativas e grupais e a intensa relação com os meios virtuais começa no momento denominado de “pré-adolescência”, na idade escolar.

Entre os seis e os doze anos, as modernas tecnologias de informação e comunicação despertam a atenção e quase uma “fixação” por parte das crianças. Elas apresentam uma intensa motivação para o conhecimento e para o manuseio do computador, telemóvel, agendas electrónicas e outros artefactos do género. A criança descortina, assim, a multiplicidade de possibilidades de descoberta do mundo e de construção de conceitos, propiciada pelo “mergulho” nas modernas tecnologias de informação e comunicação e nos ambientes educativos virtuais. Trata-se, portanto, de uma relação que toca o simbólico, o imaginário, envolvendo componentes emocionais e afectivas. Não é um lápis, um caderno ou uma borracha, mas algo que tem cores, sons e movimentos, que “pulsa” e responde à criança, como se estivesse vivo. Esta possível transferência de afectos e de conteúdos completa a relação com o adulto educador e interfere na evolução da identidade da criança.

Como já foi referido, a idade dos seis aos doze anos (neste caso dos dez aos doze) é caracterizada pela prontidão para aprender e compartilhar experiências com o grupo e pela canalização das energias para finalidades sociais. É nesta fase que os fundamentos da tecnologia se desenvolvem, à medida que a criança se torna capaz de utilizar os utensílios e as ferramentas. Erik Erikson situa este período como aquele que ocorre quando a sociedade ganha significado para a criança ao admiti-la em papéis que a preparam para a realidade da tecnologia. Neste sentido, é necessário conjugar o “moderno fazer da escola” com a tendência própria da infância para descobrir o mundo ludicamente e aprender o que é preciso fazendo o que se gosta de fazer.

Embora já possa ter tido experiências anteriores com o computador, é nesta faixa de idade que a criança geralmente vivência com ele as primeiras experiências educativas formais. O computador sofre um deslocamento de sentido: do plano do lúdico passa para a significação de um recurso de aprendizagem. O computador passa, assim, a fazer parte do quotidiano da criança e a habilidade na sua utilização é valorizada pelo grupo e pela sociedade.

No entendimento de Piaget, a criança de seis a doze anos encontra-se num especial momento do seu desenvolvimento cognitivo: admite relações de cooperação, brincando e aprendendo com o outro; as assimilações e acomodações ocorrem de forma mais ágil, ampliando notavelmente os esquemas mentais; a formação de classes e séries já ocorre mentalmente, com a interiorização de acções físicas como operações/acções mentais; apresenta facilidade de operar concretamente, mas a dificuldade em solucionar problemas verbais faz com que opere frequentemente com tentativas e erros. Progressivamente, o raciocínio lógico impõe-se sobre a intuição e a percepção, a criança organiza as informações em sistemas, relacionando-as no interior dos mesmos.

A criança desta fase de desenvolvimento apresenta um notável crescimento das possibilidades de utilização da linguagem, tendo atingido a fala socializada e a capacidade crescente de utilizar variadas linguagens. É, também, necessário destacar que esta criança já alcançou grandes avanços em termos emocionais e sociais, atingindo uma maior autonomia em relação ao adulto, capacidade de tomar iniciativas e acentuado gosto por jogos e brincadeiras. Todo este crescimento torna, portanto, a criança apta a relacionar-se com ambientes virtuais de aprendizagem, em especial com o computador.

Breve planificação

Tendo em conta todos estes aspectos, parto, agora, para uma breve planificação do sistema.

O cd-rom estará dividido em duas secções. A primeira terá como objectivo reforçar a sensibilização das crianças para a necessidade de adequar o mundo que as rodeia às necessidades especiais de algumas pessoas para que todos possam tirar o máximo proveito dele. Nesse sentido, esta primeira parte será uma narrativa linear sem necessidade de interacção com o sistema por parte do utilizador, onde será contada uma pequena “história” com o recurso a várias simulações relacionadas com imagem e som e onde a criança poderá pôr-se no lugar de quem sente necessidades especiais no acesso a determinados conteúdos, especialmente em formato digital. Assim, a primeira secção do cd-rom funcionará como introdução ao tema que, com o seu design minimalista, “tocará” nas emoções dos utilizadores. É importante realçar o facto de ser dada, no menu inicial, a opção de “saltar” esta secção, passando logo para a segunda parte do sistema que irá explicar o conceito de acessibilidade, sendo, por isso, a parte mais descritiva do sistema. Nesta secção, as crianças terão oportunidade de esclarecer os conceitos e definições relacionados com a acessibilidade. Embora o público-alvo sejam crianças, não se pretende “infantilizar” de uma forma directa e óbvia o produto, visto as crianças desta faixa etária terem um grande sentido de independência e liberdade, não querendo ser conotadas como “crianças” ou “infantis”, mas como indivíduos que estão a entrar na chamada fase da adolescência.

Referências

The World Wide Web Consortium (W3C)Web Accessibility Initiative (WAI)Directivas para a acessibilidade do conteúdo da Web – 1.0

Instituto Nacional de Administração, “Acessibilidade aos sítios Web da AP para Cidadãos com Necessidades Especiais”

“Formação Cívica – Um caminho a percorrer”

“Roteiro para a área curricular não disciplinar – Formação Cívica”

Fórum Educação para a Cidadania

“A criança dos 10 aos 12 anos”

“Crianças e computador: interação que impulsiona o desenvolvimento e a aprendizagem”, Eloiza da Silva Gomes de Oliveira

E depois de tanto texto…

Resolvi mostrar-vos um vídeo que encontrei no outro dia no Youtube sobre usabilidade. Embora não esteja directamente relacionado com a usabilidade na web, o vídeo ilustra a dificuldade de adptação à mudança.

Deixo-vos um teste de usabilidade de 1969.