“Acessibilidade – Ver o mundo com outros olhos!” – Ponto da situação

Visto estar próxima a segunda avaliação intercalar ao projecto da disciplina de Ergonomia das Aplicações Multimédia, senti a necessidade de publicar um artigo fazendo o ponto da situação do mesmo. Assim, neste artigo irão ser expostos alguns dos tópicos que vão ser focados na próxima apresentação de segunda-feira, dia 19 de Novembro.

Em primeiro lugar algumas rectificações ao modelo conceptual e suas actualizações já apresentadas. Assim, o design do sistema será constituído por uma sobreposição de formas básicas (do género do tão conhecido “corta e cola”) num background composto por uma imagem real de um quadro. Na segunda secção, será dada ao utilizador a opção de voltar à introdução, caso deseje. Isto será feito tal como na primeira secção por um “botão” no canto inferior direito – “Voltar Intro”. O tipo de letra encontrado para o título do sistema, para os botões “Saltar Intro” e “Voltar Intro” e para as frases da introdução do sistema foi a Kristen ITC, escolhida pelo seu aspecto atraente, divertido e ao mesmo tempo legível.

Na segunda secção do sistema, será utilizada outra metáfora referente ao ambiente escolar, ou seja, os separadores utilizados nas capas ou nos cadernos dos alunos para dividir a matéria por disciplinas. O primeiro conteúdo, referente ao conceito de acessibilidade, aparecerá automaticamente “descarregado” quando o utilizador aceder á segunda secção do cd-rom. Para além disso, cada item do menu , assim como o separador que lhe estiver associado, terá uma cor que o caracterizará. As cores escolhidas foram o cor-de-rosa, o verde, o cor-de-laranja e o azul clarinho. A escolha das cores foi feita tendo em conta o sexo feminino e o sexo masculino dos utilizadores, dai que tenham sido usadas cores divertidas, mas associadas aos dois sexos. Quando o cursor estiver por cima dos itens estes aumentarão um pouco. Após o clique estes manter-se-ão um pouco maiores que os outros, passando para o seu tamanho normal quando for escolhido outro item. A cor do contorno da janela também mudará consoante o item escolhido e o separador que lhe estiver associado. Estas questões estão relacionadas com o feedback do sistema e com a importância de situar o utilizador no mesmo. Será dada a opção de aceder a um determinado conteúdo tanto a partir do clique no separador ou no item em si. Para dar realce ao título do sistema, alterou-se o tipo de letra utilizado nos itens do menu assim como no conteúdo dos mesmos. Assim, o tipo de letra utilizado será o Verdana.

Todos os “botões” do sistema irão ter som (tradução áudio da função de cada “botão”) para acentuar o feedback do sistema, principalmente em relação a crianças que tenham necessidades especiais. Este aspecto será uma forma de dar o exemplo de algo muito simples que se pode fazer para tornar os sistemas mais acessíveis a pessoas com necessidades especiais e não só. Para além disso, todo o texto terá som, sendo que ao passar-se com o cursor por cima este será activado, à excepção do texto referente aos conteúdos da segunda secção que poderá ser ouvido automaticamente. No entanto, será dada ao utilizador a opção de tirar o som, através de um “botão” no canto inferior esquerdo. Ao clicar neste “botão”, apenas o som referente ao texto dos conteúdos deixará de ser emitido, visto os restantes sons só serem activados ao passar-se com o cursor por cima.

Após alguns contactos com o Colégio Luso-Francês do Porto, este aceitou a proposta de colaborar no projecto “Acessibilidade – Ver o mundo com outros olhos!”. Numa primeira fase, foi realizado um inquérito nas aulas de Formação Cívica a uma turma do 5º ano e outra do 6º, com o objectivo de apurar a relação e os hábitos das crianças com o computador, a Internet e o termo “acessibilidade”. Para além disso, era importante fazer uma primeira aproximação ao público-alvo, apurando as suas necessidades, conhecimentos e limitações. Os resultados do inquérito, como pode ser visto mais à frente neste artigo, serviram para aperfeiçoar e acrescentar alguns aspectos no projecto, assim como confirmar a relevância de desenvolver um sistema deste carácter. No inquérito foram utilizadas perguntas fechadas e abertas para mais facilmente apurar o que se pretendia.

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No total, responderam ao inquérito cinquenta e quatro crianças, sendo que vinte e oito frequentam o 5º ano e vinte e seis o 6ºano. A maioria dos inquiridos tem 11 anos de idade (44%). Responderam, também, vinte crianças de dez anos e dez crianças de nove. Vinte e oito dos inquiridos são do sexo feminino, sendo que vinte e seis são do sexo masculino. Neste artigo não serão apresentados os gráficos da análise quantitativa dos inquéritos devido à dificuldade de os colocar no mesmo. No entanto, poderá ser feito o download da segunda apresentação intercalar que irá conter os gráficos.

A maioria das crianças inquiridas utiliza frequentemente o computador (81%). Apenas nove não utilizam com frequência o computador, sendo que uma criança não respondeu à questão.

 

Neste ponto, é necessário realçar o facto de as crianças não terem respeitado as indicações do inquérito, tendo respondido a questões que não deveriam responder caso escolhessem “não” em determinadas questões. Assim, alguns resultados podem não estar coerentes com o número de inquiridos que deveriam ter respondido a determinadas questões.

 

Assim sendo, 75% das crianças utiliza o computador em casa, sendo que quatro crianças (7%) utilizam na escola e 18% em outros locais. Das dez crianças que responderam “Outros locais” à questão 1.2, quatro (a maioria) utiliza o computador em casa de familiares e amigos. As outras crianças focaram locais como centro de estudos, café, local de trabalho dos pais, biblioteca e instituto inglês.

 

Quando questionados sobre as actividades que mais realizam no computador, as três opções mais escolhidas foram “Pesquisar na Internet” e “Realizar trabalhos para a escola” (ambos com 26%) e “Jogar” (com 22%). Nesta questão, as crianças poderiam escolher mais que uma opção, tendo sido obtidas 163 respostas nos cinquenta e quatro inquéritos. Neste sentido, a opção menos escolhida foi a “Ouvir música” com 9%. Três inquiridos escolheram a opção “Outras actividades”, sendo que as actividades mencionadas foram ver imagens e filmes e realizar trabalhos não escolares.

 

À questão 1.4, “Costumas consultar CD-ROMs educativos?”, 19% dos inquiridos não responderam, sendo que esta questão era para todos os inquiridos, tivessem respondido “Sim” ou “Não” na primeira questão do inquérito, “Utilizas com frequência o computador?”. Na questão 1.4, 44% dos inquiridos responderam que sim e 37% responderam que não.

 

A grande maioria dos inquiridos (89%) utiliza a Internet. Apenas duas crianças não utilizam a Internet e quatro não responderam à questão. Os sites mais consultados pelos inquiridos são, portanto, sites de pesquisa como o Google e a Wikipedia com 44% e sites de jogos como o Miniclip com 23%.

 

Uma das perguntas mais pertinentes do questionário era a 1.7, “Que actividades preferes fazer durante as aulas?”. Embora o objectivo fosse responder a apenas uma das actividades, várias crianças escolheram mais do que uma actividade, tendo sido obtidas 102 respostas. Neste sentido, a maioria das crianças prefere fazer trabalhos durante as aulas (31%). Para além disso, 29% dos inquiridos preferem jogar jogos educativos. Por outro lado, apenas 7% escolheram a opção “Consultar um CD-ROM educativo” e 12% a opção “Consultar um site educativo”. Duas crianças responderam que preferiam outras actividades que não as mencionadas na questão, sendo que gostariam de jogar jogos não educativos e realizar pesquisa sobre os temas focados na aula.

 

Relativamente às questões relacionadas com a acessibilidade, 68% dos inquiridos disseram não conhecer o termo “acessibilidade”. Três crianças não responderam à questão 2.1, sendo que apenas 14 inquiridos conhecem o termo. A maioria das crianças que dizem conhecer o termo, ouviram falar dele em casa, sendo que apenas cinco admitem ter tido conhecimento do mesmo na escola.

 

Quando questionados sobre o que consideram ser acessibilidade, a maior parte dos inquiridos (69%) não respondeu. Das respostas obtidas, algumas focam ideias próximas do conceito, embora não muito aprofundades. Admite-se que as respostas que se aproximam do conceito podem ter sido deduzidas da palavra “acessibilidade” em si. Assim, surgem definições como: “Disponibilidade, ou seja, ser disponível”; “Ter acesso a alguma coisa, tal como ao computador e à Internet”; “Um sitio que esteja acessível”; “Facilidade que temos de fazer uma actividade ou o acesso que temos de fazer alguma coisa ou de irmos para algum sítio” e “Ter acesso a tudo o que queremos”. É interessante notar que uma das respostas associa o termo ao acesso que se tem ao computador e à Internet, uma das questões que se pretende focar no sistema “Acessibilidade – Ver o mundo com outros olhos!”. No entanto, surgem, também, respostas muito diferentes do conceito do termo, tais como: “Poder falar com outras pessoas na Internet e pesquisar”; “O que se passa no mundo inteiro”; “Navegar pelo mundo adquirindo novos conhecimentos pela Internet”; “Ser acessível a vários tipos de coisas” e “Aderir à Internet”. Surge neste conjunto de respostas uma que se destaca, a penúltima. No entanto, ao interpretar a resposta chegamos à conclusão de que a criança se refere a si mesma quando diz “ser acessível” e não ao mundo em geral. Assim, achou-se por bem incluir esta resposta no grupo de respostas afastadas do conceito de “acessibilidade”.

 

A grande maioria dos inquiridos (87%) gostaria de conhecer mais sobre o tema, sendo que apenas sete crianças responderam que não. A esta questão responderam os cinquenta e quatro inquiridos. Caso a resposta a esta última pergunta fosse afirmativa, pedia-se que mencionassem o porquê da sua escolha. Uma das crianças que respondeu afirmativamente à questão 2.4 não respondeu à questão “Porquê?”. A maioria dos inquiridos gostaria de saber mais sobre a acessibilidade para ter acesso ao significado de uma nova palavra e de um novo conceito. Assim, surgem respostas como: “”Porque é uma palavra que se utiliza com frequência”, “Porque gosto de conhecer várias coisas”, “Para aprofundar os meus conhecimentos”, “Porque é bom saber um pouco de tudo” e “Porque quando falam de alguma coisa que desconheço tento informar-me sobre o assunto”. Várias crianças disseram querer saber mais sobre o tema por lhes parecer um tema engraçado, divertido, interessante e educativo. Para além disso, foram obtidas outras respostas, tais como: “Gostava de me tornar mais acessível”, “Gosto que me perguntem sobre computadores e gosto de estar neles”, “Gosto de saber mais sobre a Internet e adquirir mais sites” e “Porque acho que a acessibilidade é Internet”. Mais uma vez podemos observar que há uma confusão entre o termo “acessibilidade” e a Internet e o computador. Embora estejam relacionados, podemos ver, principalmente através da última resposta apresentada, que as crianças identificam acessibilidade como sendo a Internet ou o computador.

 

Conclusões da análise quantitativa e o que esta alterou no modelo conceptual do sistema:

 

Em primeiro lugar, visto não ter respondido ao inquérito nenhuma criança de 12 anos e algumas crianças de 9, a faixa etária do público-alvo irá ser alterada, passando, assim, a ser crianças dos 9 aos 11 anos que frequentem o segundo ciclo do ensino básico e a disciplina de Formação Cívica.

 

É, também, necessário focar que a maioria das crianças utilizam o computador em casa, sendo que apenas 7% o utilizam na escola. Isto significa, na minha opinião, que existe necessidade de inserir o computador na vida escolar e mais concretamente na sala de aula. Neste sentido, a inserção do sistema na disciplina de Formação Cívica pode contribuir para que as crianças mantenham um contacto com o computador durante as aulas relacionadas com a acessibilidade.

 

O computador é utilizado pela maioria das crianças que o usam para pesquisar na Internet, realizar trabalhos para a escola e jogar. As duas primeiras actividades estão associadas ao cd-rom, mesmo que indirectamente. Assim, o sistema pode ser uma forma de pesquisar sobre o tema para obter mais informação, assim como pode incentivar e ser a base da realização de um trabalho, seja de grupo ou individual. Para além disso, visto a pesquisa na Internet ter sido uma das opções mais escolhidas, podemos deduzir o interesse das crianças por temas novos e por aprofundar os conhecimentos, o que pode facilitar a boa aceitação do sistema. Em relação à preferência dos inquiridos por utilizar o computador para jogar, esta foi, sem dúvida, uma das conclusões mais surpreendentes do inquérito. Assim, parece-me pertinente incluir no sistema uma secção com dois pequenos jogos, onde se possa explorar uma vertente mais lúdica e onde possam ser consolidados os novos conhecimentos. Neste sentido, será dada ao utilizador a opção de fazer dois pequenos puzzles com os símbolos de acessibilidade e de responder a um pequeno quiz com perguntas sobre os temas abordados na secção explicativa do cd-rom.

 

Por outro lado, a maioria dos inquiridos consulta cd-roms educativos, embora a diferença percentual entre as duas opções seja muito reduzida. A grande maioria das crianças utiliza regularmente a Internet, consultando sites de pesquisa e sites de jogos. Para além disso, a maior parte dos inquiridos preferem realizar trabalhos durante as aulas e jogar jogos educativos. Estes resultados serviram, também, para sustentar as alterações no modelo conceptual acima mencionadas. É importante referir que mais crianças preferem consultar um site educativo do que um cd-rom educativo. No entanto, optou-se por continuar a produzir um sistema offline (cd-rom educativo), visto a diferença do número de respostas entre as duas opções ser muito reduzida. Assim, como já foi referido, irá apostar-se na inserção de uma secção de pequenos jogos, pois esta parece ser o aspecto mais pertinente e mais vincado nos resultados da análise dos inquéritos.

 

Vários resultados do inquérito vieram comprovar a necessidade de realizar um projecto do género e de integrá-lo nas escolas através da disciplina de Formação Cívica. Assim, a maioria das crianças não conhece o termo e as que conhecem falaram sobre ele em casa e não na escola. Para além disso, embora algumas crianças saibam definir “acessibilidade” de uma forma aproximada ao conceito real, outras não têm a mínima noção do que significa a palavra, embora a associem a Internet e a Computador. Por fim, podemos ver que, provavelmente por o inquérito ter começado com questões sobre os hábitos dos inquiridos em relação ao computador e à Internet, as crianças pensam que a acessibilidade é um componente dos mesmos. Embora os três estejam relacionados, como é sabido, é necessário esclarecer as crianças sobre o real carácter dessa relação.

 

Por fim, embora não esteja directamente relacionado com os resultados do inquérito, achou-se por bem que o primeiro frame do cd-rom seja uma apresentação do mesmo com o titúlo, uma imagem descritiva da acessibilidade e a opção “Iniciar”. Visto se ter decidido, mesmo após a realização do inquérito, manter o sistema offline, esta pareceu uma boa forma de não sobrecarregar o utilizador com uma introdução, deixando que ele inicie a sessão quando mais desejar. Para além disso, em vários dos cd-roms para crianças a que tive acesso surge essa opção.

 

Download da segunda apresentação intercalar do projecto: apresentacao2.ppt  

 

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One Response to ““Acessibilidade – Ver o mundo com outros olhos!” – Ponto da situação”

  1. rachnroll Says:

    olá filipa.
    encontrei este tutorial e lembrei-me que é aquilo que queres fazer com as barras, ao som da música:

    http://www.tutorialized.com/tutorial/Simulated-Flash-Audio-Spectrum-Analyzer/25479

    não sei se é fácil ou não, mas dá uma vista de olhos…
    bom trabalho!


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