“Acessibilidade – Ver o mundo com outros olhos!”

Modelo Conceptual

Para a realização do modelo conceptual do projecto “Acessibilidade – Ver o mundo com outros olhos!” direccionado para crianças com idades compreendidas entre os 10 e 12 anos é necessário ter em conta três palavras/expressões chave já focadas no artigo anterior: acessibilidade, Formação Cívica e pré-adolescência. Assim, a planificação e desenvolvimento do produto terá em conta as características destes três factores.

Após ter apresentado no artigo anterior a maior parte da pesquisa em relação à inserção do projecto na disciplina de Formação Cívica e às características do público-alvo, chegou a altura de partir para o modelo conceptual do sistema. Para a sua realização parto de diversos pressupostos, também já focados no artigo anterior, mas que considero importante voltar a realçar. Em primeiro lugar, irá ser introduzido no conhecimento das crianças um novo conceito, ou seja o conceito de acessibilidade. Para melhor fazê-lo, foi escolhida a inserção do sistema na disciplina de Formação Cívica, que se assume como um espaço privilegiado para de educação para a cidadania, respeito mútuo e reflexão sobre a sociedade. Por fim, é necessário focar alguns aspectos (os mais pertinentes para o projecto em questão) que caracterizam as crianças na pré-adolescência. Assim sendo:

– estas crianças já sabem ler;

– estão numa faixa etária óptima para o uso de meios audiovisuais na educação e formação;

– têm grande motivação para o conhecimento e manuseio do computador, embora estejam a começar a viver as suas primeiras experiências educativas formais com o mesmo;

– não gostam de ser consideradas crianças pois têm um grande desejo de crescer;

– têm uma crescente preocupação social e sensibilidade para os sentimentos dos demais;

– são adeptas de cores, sons, movimentos e contos;

– organizam as informações em sistemas, relacionando-as no interior dos mesmos.

É, porém, necessário realçar o facto de ainda não ter sido obtida qualquer resposta por parte do estabelecimento de ensino contactado (Escola EB 2,3 de Gomes Teixeira). Assim, estes pressupostos de que agora parto podem ser substancialmente alterados quando tiver sido feito um contacto directo mais aprofundado com alunos e professores.

Como foi também referido no artigo de apresentação do sistema, este será composto por duas secções, em que a primeira será um introdução ao tema e a segunda uma breve descrição do mesmo. Assim, no menu inicial do cd-rom será dada a opção ao utilizador de escolher qual a secção que pretende “visitar”. No caso de escolher a primeira, o utilizador poderá ver uma espécie de filme introdutório ao conceito de acessibilidade. Esta secção terá como especial particularidade o facto de ser uma narrativa linear que irá ao encontro da preferência do público-alvo de adquirir informação no formato de um conto. Para além disso, nesta secção o utilizador não terá grande interacção com o sistema, sendo apenas possível “saltar” a introdução e passar para o segundo tópico do menu inicial.

Na segunda secção do cd-rom, o utilizador poderá encontrar um breve menu onde poderá aceder a conteúdos como a definição de acessibilidade; conceitos básicos como por exemplo “cidadãos com necessidades especiais” (definição e estatísticas da população portuguesa), “incapacidade”, “deficiência” e “ajudas técnicas”; a pessoa com deficiência e o computador e a acessibilidade na Internet (Consórcio World Wide Web, Web Accessibility Initiative e 10 concelhos para garantir a acessibilidade de uma página na Internet). De notar a especial atenção que será dada à linguagem na análise destes pontos, visto o público-alvo não estar familiarizado com estes conceitos. Será, portanto, uma linguagem simples, concisa, directa e extremamente descritiva, para além de se recorrer ao uso de imagens, animações e sons para mais facilmente chegar ao objectivo pretendido.

O design do sistema será simples e minimalista. Porém, não se pretende que este tenha um aspecto muito “infantilizado”, pois o público-alvo está numa fase de rejeição de sistemas denominados “para crianças”, visto ter uma enorme vontade de crescer. Porém, e como já foi dito, será utilizada uma linguagem adequada à faixa etária em questão, para além de se recorrer a imagens, animações, sons e cores quentes e apelativas como o amarelo e o laranja. Como é sabido, as crianças interessam-se mais por sistemas “coloridos”, por menus com um tipo de letra apelativo e por tamanhos de letra e de ícones maiores que o habitual. Será, portanto, feito um mapeamento de conteúdos tanto a nível cromático como em relação ao tamanho de letra. As metáforas utilizadas terão como objectivo criar uma interface similar e familiar a uma entidade física, sendo, por isso, baseadas na actividade escolar. Assim, serão utilizados objectos do dia-a-dia da criança na escola, como por exemplo o caderno, o livro, o lápis, etc. Isto realçará o carácter educativo do sistema. No entanto, será feito de uma forma subtil para que a criança não se sinta obrigada a memorizar e a apreender directamente os conteúdos, como normalmente acontece no ensino corrente.

Em suma, todo o sistema será manipulado directamente, sendo que o utilizador terá uma vasta liberdade de navegação e exploração do mesmo. O modo de interacção será, portanto, a navegação através de menus.

O conteúdo não terá como objectivo explicar em pormenor todos os conceitos e ideias relacionados com a acessibilidade, mas sim o de tentar incutir na criança a informação principal e básica sobre o assunto para que esta entenda a importância do mesmo nos dias de hoje.

Nota: para mais informações recomendo a consulta das referências citadas no artigo anterior.

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2 Responses to ““Acessibilidade – Ver o mundo com outros olhos!””

  1. Bruno Giesteira Says:

    Olá Filipa,

    Considero o artigo muito interessante no que concerne, particularmente, ao levantamento das expectativas do utilizador que, como sabemos, é peça charneira no design de interacção.
    Relativamente ao Modelo Conceptual, o trabalho vai no bom caminho!… A descrição sobre o funcionamento, comportamento e aspecto do sistema é feito… Todavia, de uma forma ainda imberbe (tímida?…).

    Visto ser notório que o conceito de Modelo Conceptual foi já interiorizado, coloco a seguinte questão: É já possível com esta descrição (“… ao mais alto nível sobre o funcionamento, comportamento; aspecto do sistema…”) uma equipa de 5, 10, ou 20 pessoas trabalharem num primeiro protótipo?…

    O modelo conceptual deve servir para, num projecto em equipa, todos estarem sintonizados sobre o produto que se vai desenvolver antes de se “perder” tempo e dinheiro na prototipagem…
    Eventualmente o actual modelo conceptual poderá ainda ser mais detalhado… Não?…

    Bom trabalho!

  2. Beatriz Santos Says:

    Parece-me que tens o teu projecto muito bem alinhavado já, nota-se um grande progresso em relação à semana passada. A tua descrição do modelo conceptual parece-me bastante clara e objectiva e à semelhança do que o Professor mencionou, é muito interessante a forma como detalhaste o que pretendes obter do teu público-alvo e a forma que queres interagir com ele. Sem dúvida, a afirmação de um projecto promissor 😉


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