“Acessibilidade – Ver o mundo com outros olhos!”

Contextualização

No âmbito do projecto final da disciplina de Ergonomia das Aplicações Multimédia, a minha proposta tem como objectivo a realização de um cd-rom de sensibilização para a problemática da acessibilidade nos dias de hoje. O público-alvo é constituído por crianças dos 10 aos 12 anos que frequentam o 2º ciclo do ensino básico. Para além disso, este projecto tem como objectivo integrar o cd-rom na disciplina de Formação Cívica, leccionada neste ciclo.

A escolha do formato cd-rom justifica-se pelo facto deste ser um elemento preponderante no ensino dos dias de hoje, proporcionando às crianças uma pedagogia inovadora e eficaz.

Foi estabelecido contacto com a Escola EB 2,3 de Gomes Teixeira, estando, neste momento, à espera de uma resposta por parte da mesma. Para o bom desenvolvimento do projecto é necessário estabelecer uma relação com professores e alunos em todas as fases do projecto.

Uma breve definição de acessibilidade

A acessibilidade descreve a qualidade do meio ambiente face à situação da pessoa com deficiência. Assim, um edifício, um computador ou uma informação é acessível se puder ser acedido por alguém com uma incapacidade ou deficiência.

A designação “Cidadãos com necessidades especiais” é utilizada para referenciar pessoas que por diversas razões se confrontam com limitações funcionais. É o caso dos idosos, acamados de longa duração e das pessoas com deficiência.

Quando nos referimos a conteúdos digitais, a acessibilidade está intimamente relacionada com a possibilidade que é dada ao indivíduo de ler a informação disponibilizada.

O W3C é o organismo responsável pelas recomendações mundiais relacionadas com a web. Em 5 de Maio de 1999, o W3C publicou o primeiro documento que serve de referência mundial para a acessibilidade na Internet. O documento tem como nome “Documento de acessibilidade de conteúdos de web 1.0” e está dividido em 65 pontos de verificação classificados por diferentes níveis de prioridades.

Contextualizando a Formação Cívica

No final dos anos noventa, o Governo assumiu como objectivo estratégico garantir uma educação de base para todos como fundamento de um processo de educação e formação ao longo da vida. O Ministério da Educação lançou, então, o “Documento orientador das politicas para o ensino básico” em 1998, em que manifesta o entendimento de que a escola deve assumir-se como um espaço privilegiado de educação para a cidadania e integrar na sua oferta curricular experiências de aprendizagem diversificadas.

Assim, os princípios orientadores da actual organização e da gestão curricular do ensino básico (definidos pelo Decreto-Lei nº6/2001 de 8 de Janeiro) visam a formação integral de todos os alunos, consagrando, entre outros aspectos:

– a criação de três áreas curriculares não disciplinares vocacionadas para trabalhar temas transversais: Área de Projecto, Estudo Acompanhado e Formação Cívica;

– a Formação Cívica como um espaço privilegiado para o desenvolvimento da educação para a cidadania, visando o desenvolvimento da consciência cívica dos alunos, como elemento fundamental no processo de formação de cidadãos responsáveis, críticos, activos e intervenientes, com recurso, nomeadamente, ao intercâmbio de experiências vividas pelos alunos e à sua participação, individual e colectiva, na vida da turma, da escola e da comunidade.

A Formação Cívica surge, assim, no contexto da reorganização curricular como um espaço de diálogo e reflexão sobre as experiências vividas, as preocupações sentidas e os temas e problemas relevantes da comunidade e da sociedade.

Objectivos da disciplina:

– Desenvolver competências necessárias ao exercício da cidadania;

– Promover atitudes de auto-estima, respeito mútuo e regras de convivência que conduzam à formação de cidadãos autónomos, participativos e civicamente responsáveis;

– Promover valores de tolerância e solidariedade;

– Estimular a participação dos alunos na vida da turma, da escola e da comunidade;

– Consciencializar os alunos para a importância das relações humanas e a existência de regras de conduta social;

– Reflectir sobre direitos e deveres dentro e fora da escola;

– Reflectir sobre a sociedade (cidadania, democracia, consciência cívica, solidariedade, discriminação, violência, respeito pela diferença.

Crianças dos 10 aos 12 anos de idade – Características

O público-alvo deste projecto é, em princípio, constituído por crianças sem necessidades especiais que frequentam o 2º ciclo do ensino básico, tendo, por isso, idades compreendidas entre os 10 e os 12 anos de idade. É, assim, necessário realçar o facto destas crianças estarem a entrar na chamada fase da “pré-adolescência”. De notar também o facto de ser possível encontrar nas turmas em estudo crianças com algumas necessidades especiais. Neste caso, irá ser feito tudo para enquadrar o sistema para a utilização por parte das mesmas.

Uma das principais razões que levou à escolha deste público-alvo foi o facto de as crianças terem o espírito aberto para novos assuntos, para as tarefas propostas e para a sua consecução, o que poderá facilitar os testes de utilizador. Para além disso, a criança é caracterizada pela sua sinceridade, o que pode permitir um mais fácil apuramento das suas ideias, opiniões e criticas. O fundamental neste projecto será proporcionar um ensino motivador, dinâmico, criativo e preciso nos seus objectivos, como forma de potenciar o crescimento individual de todos os intervenientes no projecto.

Características psicológicas:

– Nesta fase, a criança mostra-se feliz, simpática, tranquila, amável, sincera e amigável, embora, por vezes, manifeste breves e superficiais momentos de ira;

– Encontra-se livre de tensões e inclinada a uma fácil reciprocidade. Mostra-se independente e directa;

– Possui grandes desejos de agradar aos outros e compreende muito bem o próprio comportamento;

– Observa-se, nesta fase, uma maior amplitude de gostos e interesses, que se manifestam em todo o seu âmbito pessoal, familiar e social;

– Tem uma grande capacidade de protecção, projectada, especialmente, em crianças mais pequenas, animais, etc;

– Mostra uma maior actividade e prefere a companhia de outros, recusando a solidão;

– Gosta de discutir, mas não gosta que discutam com ela;

– Tem um grande sentido de justiça e horror à fraude;

– Super critica, tanto em relação a si como aos outros;

– Mostra-se mais altruísta;

– Não gosta que a consideram uma criança, pois tem um grande desejo de crescer;

– Denota-se um grande avanço no seu pensamento conceptual quanto á preocupação pelo valor de termos como justiça, lei, vida, lealdade, delito, etc;

– Possui um autêntico sentido do que é lógico;

– Entusiasmo expansivo e capacidade de tomar iniciativa;

– Sensível aos sentimentos dos demais e às atenções e interesses das pessoas que a rodeiam.

No âmbito escolar:

– A criança já sabe ler;

– É a fase das experiências;

– Possui um grande poder de assimilação. Gosta de memorizar, identificar ou reconhecer os factos. Custa-lhe, no entanto, conceptualizar ou generalizar;

– Tem períodos de atenção curtos e intermitentes, dai que goste mais de falar, contemplar, ler e escutar do que de trabalhar;

– Agrada-lhe a possibilidade de escolha e oferecendo-lhe várias tarefas para que seja ela mesmo a escolher leva a cabo o trabalho diligentemente;

– Os dados que melhor aprende são os que se ensinam sob a forma de contos, em que uma acção leva inevitavelmente a novas acções;

– São idades óptimas para o uso de material gráfico e meios audiovisuais, que se constituem como meios eficazes para a sua educação e formação;

– Nestas idades, as crianças são sensíveis à informação social.

A criança e o computador na educação

A capacidade para as aprendizagens colaborativas e grupais e a intensa relação com os meios virtuais começa no momento denominado de “pré-adolescência”, na idade escolar.

Entre os seis e os doze anos, as modernas tecnologias de informação e comunicação despertam a atenção e quase uma “fixação” por parte das crianças. Elas apresentam uma intensa motivação para o conhecimento e para o manuseio do computador, telemóvel, agendas electrónicas e outros artefactos do género. A criança descortina, assim, a multiplicidade de possibilidades de descoberta do mundo e de construção de conceitos, propiciada pelo “mergulho” nas modernas tecnologias de informação e comunicação e nos ambientes educativos virtuais. Trata-se, portanto, de uma relação que toca o simbólico, o imaginário, envolvendo componentes emocionais e afectivas. Não é um lápis, um caderno ou uma borracha, mas algo que tem cores, sons e movimentos, que “pulsa” e responde à criança, como se estivesse vivo. Esta possível transferência de afectos e de conteúdos completa a relação com o adulto educador e interfere na evolução da identidade da criança.

Como já foi referido, a idade dos seis aos doze anos (neste caso dos dez aos doze) é caracterizada pela prontidão para aprender e compartilhar experiências com o grupo e pela canalização das energias para finalidades sociais. É nesta fase que os fundamentos da tecnologia se desenvolvem, à medida que a criança se torna capaz de utilizar os utensílios e as ferramentas. Erik Erikson situa este período como aquele que ocorre quando a sociedade ganha significado para a criança ao admiti-la em papéis que a preparam para a realidade da tecnologia. Neste sentido, é necessário conjugar o “moderno fazer da escola” com a tendência própria da infância para descobrir o mundo ludicamente e aprender o que é preciso fazendo o que se gosta de fazer.

Embora já possa ter tido experiências anteriores com o computador, é nesta faixa de idade que a criança geralmente vivência com ele as primeiras experiências educativas formais. O computador sofre um deslocamento de sentido: do plano do lúdico passa para a significação de um recurso de aprendizagem. O computador passa, assim, a fazer parte do quotidiano da criança e a habilidade na sua utilização é valorizada pelo grupo e pela sociedade.

No entendimento de Piaget, a criança de seis a doze anos encontra-se num especial momento do seu desenvolvimento cognitivo: admite relações de cooperação, brincando e aprendendo com o outro; as assimilações e acomodações ocorrem de forma mais ágil, ampliando notavelmente os esquemas mentais; a formação de classes e séries já ocorre mentalmente, com a interiorização de acções físicas como operações/acções mentais; apresenta facilidade de operar concretamente, mas a dificuldade em solucionar problemas verbais faz com que opere frequentemente com tentativas e erros. Progressivamente, o raciocínio lógico impõe-se sobre a intuição e a percepção, a criança organiza as informações em sistemas, relacionando-as no interior dos mesmos.

A criança desta fase de desenvolvimento apresenta um notável crescimento das possibilidades de utilização da linguagem, tendo atingido a fala socializada e a capacidade crescente de utilizar variadas linguagens. É, também, necessário destacar que esta criança já alcançou grandes avanços em termos emocionais e sociais, atingindo uma maior autonomia em relação ao adulto, capacidade de tomar iniciativas e acentuado gosto por jogos e brincadeiras. Todo este crescimento torna, portanto, a criança apta a relacionar-se com ambientes virtuais de aprendizagem, em especial com o computador.

Breve planificação

Tendo em conta todos estes aspectos, parto, agora, para uma breve planificação do sistema.

O cd-rom estará dividido em duas secções. A primeira terá como objectivo reforçar a sensibilização das crianças para a necessidade de adequar o mundo que as rodeia às necessidades especiais de algumas pessoas para que todos possam tirar o máximo proveito dele. Nesse sentido, esta primeira parte será uma narrativa linear sem necessidade de interacção com o sistema por parte do utilizador, onde será contada uma pequena “história” com o recurso a várias simulações relacionadas com imagem e som e onde a criança poderá pôr-se no lugar de quem sente necessidades especiais no acesso a determinados conteúdos, especialmente em formato digital. Assim, a primeira secção do cd-rom funcionará como introdução ao tema que, com o seu design minimalista, “tocará” nas emoções dos utilizadores. É importante realçar o facto de ser dada, no menu inicial, a opção de “saltar” esta secção, passando logo para a segunda parte do sistema que irá explicar o conceito de acessibilidade, sendo, por isso, a parte mais descritiva do sistema. Nesta secção, as crianças terão oportunidade de esclarecer os conceitos e definições relacionados com a acessibilidade. Embora o público-alvo sejam crianças, não se pretende “infantilizar” de uma forma directa e óbvia o produto, visto as crianças desta faixa etária terem um grande sentido de independência e liberdade, não querendo ser conotadas como “crianças” ou “infantis”, mas como indivíduos que estão a entrar na chamada fase da adolescência.

Referências

The World Wide Web Consortium (W3C)Web Accessibility Initiative (WAI)Directivas para a acessibilidade do conteúdo da Web – 1.0

Instituto Nacional de Administração, “Acessibilidade aos sítios Web da AP para Cidadãos com Necessidades Especiais”

“Formação Cívica – Um caminho a percorrer”

“Roteiro para a área curricular não disciplinar – Formação Cívica”

Fórum Educação para a Cidadania

“A criança dos 10 aos 12 anos”

“Crianças e computador: interação que impulsiona o desenvolvimento e a aprendizagem”, Eloiza da Silva Gomes de Oliveira

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