Complementando a avaliação manual do site das Finanças…

Leitor de ecrã Jaws e navegador Opera

Para complementar a avaliação manual publicada no artigo anterior recorreu-se ao browser Opera e ao leitor de ecrã Jaws.

O Jaws é um software ao serviço de pessoas invisuais. O Opera, por sua vez, é um navegador bastante útil para efectuar testes à acessibilidade na Web, pois é bastante fácil obter rapidamente aquilo que é designado nas Directrizes de Acessibilidade Web. Visualizar uma página sem imagens, sem frames, sem formatação por tabelas ou sem folhas de estilo está ao alcance de um pressionar de tecla. Em termos de testes de acessibilidade à Web são bem mais visíveis e notórios os problemas de uma página web com o Jaws e o Opera, dai que se tenham utilizado estes dois sistemas nesta análise manual.

A presente análise veio comprovar alguns pontos que se havia constatado no artigo anterior. Assim, o Jaws não conseguiu ler o menu lateral esquerdo devido à linguagem Javascript. Embora ao visualizar-se a página sem imagens os itens associados às mesmas sejam apresentados antes dos itens principais, o Jaws não os consegue ler. Para além disso, o uso de linguagem Javascript fez com estes apareçam como imagens que não são passíveis de ser lidas pelo sistema.

No menu lateral direito, o Jaws não consegue ler o titulo do menu, ou seja “Notícias”, mas lê os itens e respectivos links para download de ficheiros.

É importante referir, também, dois aspectos relevantes: o Jaws não consegue ler a maioria das imagens associadas a links e dos downloads associados a linguagem Javascript; ao avançar nos campos dos formulários com a tecla TAB não é indicada a função respectiva de cada campo, pelo que o utilizador invisual não consegue perceber as tarefas a realizar nos mesmos. Esta última questão implica, também, o campo da pesquisa.

Assim, após as análise automáticas e manuais publicadas no artigo anterior e no presente artigo, pode-se concluir que o site das Finanças não se encontra acessível, tendo em conta as Directrizes para acessibilidade do conteúdo da Web – 1.0  e o Manual de Boas Práticas da AP – Administração Pública. É, pois, necessário ter em conta os aspectos apresentados nestas análises e outros que não tenham sido apurados para melhorar a acessibilidade do site em estudo, visto este ter como objectivo servir uma grande maioria dos cidadãos portugueses, onde se incluem, com certeza, indivíduos com necessidades especiais.

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Avaliação à acessibilidade de um site da Admnistração Pública

Site das Finanças

“O poder da Web está na sua universalidade. O acesso por todos não olhando à incapacidade é um aspecto essencial” – Tim Berners-Lee, director do Consórcio World Wide Web (W3C)

 Introdução

O Consórcio World Wide Web (W3C) foi criado por Tim Berners-Lee para liderar a Web e retirar dela todo o seu potencial através do desenvolvimento de protocolos comuns que promovam a sua evolução e assegurem a sua interoperabilidade. Em Outubro de 1997, o W3C lança a WAI (Web Accessibility Initiative), tendo como objectivo promover a acessibilidade da Web para pessoas com deficiência.

A WAI persegue a acessibilidade à Web através de cinco áreas principais de trabalho:

– dirigindo-se aos temas de acessibilidade das tecnologias usadas na Web;

– criando directrizes para navegadores, ferramentas de autor e criação de conteúdos;

– desenvolvendo ferramentas de avaliação e validação para a acessibilidade;

– conduzindo acções de educação e disseminação;

– empreendendo investigação e desenvolvimento.

Surgiu, assim, um documento intitulado de “Directrizes para a acessibilidade do conteúdo da Web – 1.0”, que tem como objectivo ser uma referência para princípios de acessibilidade e ideias de concepção. Neste sentido, as suas directrizes explicam como tornar o conteúdo web acessível a pessoas com deficiências. Para além de promover a acessibilidade, a sua observação faz também com que o conteúdo da Web se torne de mais fácil acesso para todos os utilizadores, independentemente do respectivo agente do utilizador e das limitações associadas à respectiva utilização. No fundo, o propósito do W3C ao emitir este documento foi o de chamar a atenção para o especificado e promover a sua adopção generalizada, tendo em vista potenciar a funcionalidade e a universalidade da Web.

O documento contém catorze directrizes sobre concepção da acessibilidade. Cada directriz inclui uma lista de definições de pontos de verificação (no total 65) e o nível de prioridade que lhes estão associados. Os níveis de prioridade foram atribuídos com base no respectivo impacto em termos de acessibilidade:

– Prioridade 1: Pontos que os criadores de conteúdo na Web têm absolutamente que satisfazer. Se não o fizerem um ou mais grupos de utilizadores ficam impossibilitados de aceder à informação contida no documento.

– Prioridade 2: Pontos que os criadores de conteúdos na Web devem satisfazer. Se não o fizerem um ou mais grupos de utilizadores terão dificuldades em aceder a informação contida no documento.

– Prioridade 3: Pontos que os criadores de conteúdos na Web podem satisfazer. Se não o fizerem um ou mais grupos de utilizadores poderão deparar-se com algumas dificuldades em aceder a informações contidas no documento.

Em 1999, após a aprovação da primeira petição online pela Acessibilidade da Internet Portuguesa, surge o “Manual de Boas Práticas para os sítios Web da AP – Administração Pública”. Em 2002, por sua vez, surge o programa ACESSO da Unidade de Missão Inovação e Conhecimento (UMIC), que tem como objectivo actuar no âmbito da inclusão dos Cidadãos com Necessidades Especiais portugueses na Sociedade da Informação. Neste sentido, ficam reunidas as condições para que em consonância com o “Manual de Boas Práticas da AP” e com as “Directrizes para a acessibilidade do conteúdo da Web – 1.0”, a Administração Pública, pelo menos, cumpra os requisitos necessários para tornar os seus sítios web acessíveis a todos os portugueses.

Este artigo surge, assim, de uma tentativa de comprovar se, de facto, têm sido cumpridos todos os princípios para a acessibilidade nos sites da Administração Pública, neste caso no site das Finanças.

Foi, por isso, feita, em primeiro lugar, uma avaliação automática com recurso ao Hera (ferramenta que revê automaticamente a acessibilidade nas páginas web de acordo com as recomendações das “Directrizes para a acessibilidade do conteúdo da Web – 1.0”). De seguida, tendo em conta os resultados que o Hera não conseguiu verificar e os pontos do “Manual de Boas Práticas da AP” com referências relacionadas com a acessibilidade, foi feita uma avaliação manual que completa a avaliação apresentada neste artigo.

Avaliação automática e manual

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Como já foi referido, primeiramente foi feita uma análise automática do site das Finanças com o Hera. Este analisa o site indicado tendo em conta os 65 pontos de verificação das catorze directrizes do documento já referido neste artigo. Neste sentido, os resultados obtidos na análise automática foram os seguintes:

Prioridade

Pontos a verificar (manualmente)

Pontos correctos

Pontos com erros

Pontos não aplicáveis

Prioridade 1

8

3

6

Prioridade 2

16

2

9

2

Prioridade 3

13

1

3

2

Podemos, através da observação da tabela, perceber que o Hera apenas encontrou 3 pontos correctos na sua avaliação, sendo que não encontrou nenhum da prioridade 1. Para além disso, a grande maioria dos pontos tiveram que ser analisados manualmente, o que irá ser retratado mais à frente. Sendo o site das Finanças da Administração Pública, é muito negativo o facto de numa avaliação automática apenas terem sido encontrados, à partida, 3 pontos correctos dos 65 presentes no documento de directrizes do W3C.

Os pontos correctos encontrados foram, assim, os seguintes:

– Ponto 3.5 (Directriz 3): “Há, pelo menos, um cabeçalho principal e não se verificou alteração na ordem de importância dos cabeçalhos”. (Prioridade 2)

– Ponto 5.4 (Directriz 5): “Há 66 tabelas que não usam células de cabeçalho (<th>)”. (Prioridade 2)

– Ponto 10.5 (Directriz 10): “Todos os links adjacentes contém caracteres imprimidos não enlaçados”. (Prioridade 3)

Embora cumpra com estes requisitos e isso seja, como é óbvio, positivo, é importante realçar que foram encontrados 15 pontos com erros. São eles:

– Ponto 1.1 (Directriz 1): Há 45 imagens sem textos alternativos. (Prioridade 1)

– Ponto 3.2 (Directriz 3): Não contém uma declaração do tipo de documento e o código das folhas de estilo contém erros (prioridade 2)

– Ponto 3.3 (Directriz 3): Utilizam-se 6 elementos e 155 atributos HTML para controlar a apresentação. (Prioridade 2)

– Ponto 3.4 (Directriz 3): Utilizam-se unidades absolutas nos atributos dos elementos que compõem as tabelas e unidades absolutas ou tamanhos de fonte definidos em px (pixels) nos valores das folhas de estilo. (Prioridade 2)

– Ponto 4.3 (Directriz 4): Não se indica o idioma principal do documento. (Prioridade 3)

– Ponto 6.3 (Directriz 6): Há 33 links que se activam mediante scripts. (Prioridade 1)

– Ponto 8.1 (Directriz 8): Existem eventos dependentes do dispositivo e não existem eventos redundantes. (Prioridade 1)

– Ponto 9.5 (Directriz 9): Não se proporcionam atalhos do teclado. (Prioridade 3)

– Ponto 10.2 (Directriz 10): Há 3 controlos de formulário que devem levar etiquetas mas não há nenhum elemento “label”. (Prioridade 2)

– Ponto 10.4 (Directriz 10): Há 1 controlo vazio que não inclui caracteres por defeito. (Prioridade 3)

– Ponto 11.1 (Directriz 11): Falta a declaração do tipo de documento. (Prioridade 2)

– Ponto 11.2 (Directriz 11): Há 4 elementos e 165 atributos obsoletos em HTML 4.01. (Prioridade 2)

– Ponto 12.4 (Directriz 12): Não há etiquetas para os controlos. (Prioridade 2)

Podemos, após a apresentação dos resultados, observar que existem alguns erros graves que facilmente seriam evitados. É o caso do uso de elementos e atributos HTML em vez de CSS para a apresentação do documento. Isto vai contra um dos princípios que o W3C tem tentado internacionalizar: a separação da estrutura (em HTML) da apresentação (em CSS). Para além disso, o uso de scripts (principalmente no menu lateral esquerdo do site) dificulta o aceso a utilizadores que não utilizam esta linguagem para aceder a páginas web. Por fim, é de salientar o facto de não ser declarado o tipo de documento e de conter erros em termos do HTML como do CSS, o que vai contra os princípios da uniformização do W3C e mostra o facto de não ter havido um cuidado em desenvolver o site em conformidade com as tecnologia do consórcio. Embora os outros erros apresentados sejam, também, relevantes para a análise, achou-se necessário focar os que mais se destacam tendo em conta os princípios do W3C para a acessibilidade.

Como pode ser visto na tabela apresentada, o Hera não conseguiu verificar 36 pontos dos 65 pontos de verificação. Neste sentido, foram verificados manualmente a maioria desses pontos, nomeadamente os correspondentes à prioridade 1 e 2. Os resultados vão ser, de seguida, apresentados sucintamente, sendo interrelacionados com alguns princípios do “Manuel de Boas Práticas da AP” que se achou pertinente analisar no site em estudo. 

Na avaliação manual, foi possível constatar os erros encontrados na avaliação automática do Hera. Assim, como já tinha sido referido anteriormente, utilizam-se imagens associadas à linguagem Javascript para transmitir a informação no menu lateral esquerdo. Para além disso, a apresentação do site é controlada, maioritariamente, por linguagem HTML em vez de CSS, sendo que os diferentes grupos de informação são estruturados através de tabelas. Outros pontos negativos e que não cumprem os requisitos de acessibilidade do W3C são os seguintes:

– Não se proporciona um link para uma página alternativa acessível caso a página não seja acessível;

– No menu “Notícias”, os três primeiros itens não identificam claramente os links para aceder aos ficheiros;

– São provocados movimentos na página através de scripts, nomeadamente no menu lateral esquerdo;

– Quando são abertas novas janelas o utilizador não é informado.

Porém, não foram encontrados apenas aspectos negativos durante a avaliação. Por isso, é de salientar o facto de o documento poder ser lido quando é interpretado sem CSS; as tabelas continuam a fazer sentido depois de linearizadas; o destino de cada ligação é claramente identificado através de breves contextualizações e é fornecida uma secção de Mapa do Site, Contactos e Ajuda.

Relativamente aos requisitos do “Manual de Boas Práticas da AP”, todos os conteúdos obrigatórios são afixados, à excepção da indicação/descrição do organismo, sendo que é apenas dado um link em “Instituições” para a página web da DGI (Direcção Geral de Impostos), e das FAQ. Porém, na secção “Ajuda” o utilizador pode encontrar todas as duvidas mais frequentes.

Na página principal é fornecida uma secção de “Links úteis” com uma ligação para a homepage do governo e outros sites relevantes. Em todas as páginas adjacentes, é possível voltar à página inicial através do item “Inicio” e com o clique no logótipo “Declarações Electrónicas”. É, também, possível voltar à página em que se esteve anteriormente sem recorrer à barra do browser, sendo disponibilizado o botão “Anterior” e “Seguinte”. Porém, nestas páginas, assim como na principal, não é disponibilizado uma secção de “Sugestões”.

Em relação à apresentação de informação, não é disponibilizado um resumo dos ficheiros PDF em HTML nem é indicado o tamanho de ficheiros para download até o utilizador clicar no próprio link para descarregar o ficheiro.  Por outro lado, é positivo o facto de utilizarem imagens de tamanho inferior a 30Kb, assim como a utilização de fontes “Sans Serif” e do contraste da cor do texto e da cor do fundo ser aceitável.

Na página inicial são disponibilizados links para fornecedor do software no caso do “Internet Explorer 6”, “Netscape 7” e “Opera 7” (navegadores para que a página está optimizada). No entanto, não são disponibilizados outros softwares que sejam necessários, como é o caso do Adobe Reader para possibilitar a leitura dos ficheiros PDF.

Para além dos pontos já focados, é importante o facto de realçar uma possível navegação num ecrã de resolução gráfica 640×480. Por outro lado, é apresentado um único site, o que é muito importante, pois não são feitas distinções entre os cidadãos com necessidades especiais e os cidadãos sem necessidades especiais.

Por fim, é muito importante focar o facto de o site não ter afixado o símbolo de acessibilidade à web. Após todas as iniciativas que têm sido tomadas em Portugal para tornar acessíveis os conteúdos web a todos os cidadãos e sendo este um site da Administração Pública, considero este erro muito grave.

Conclusão

Após a avaliação ao site das Finanças, posso concluir que, embora sejam cumpridos alguns requisitos do documento “Directrizes para a acessibilidade do conteúdo da Web – 1.0” do W3C e do “Manual de Boas Práticas da AP – Administração Pública”, a maioria das recomendações não foram tidas em conta. Tendo em conta a Resolução do Conselho de Ministros nº155/2007, as formas de organização e apresentação dos sítios de Internet do Governo e dos serviços e organismos públicos da administração central devem ser escolhidos de forma a permitirem ou facilitarem o seu acesso pelos cidadãos com necessidades especiais, devendo respeitar o nível de conformidade “A” das directrizes sobre a acessibilidade do conteúdo da web desenvolvidas pelo W3C. Assim, é necessário rever o site das Finanças e estruturá-lo de forma a corrigir e melhorar os pontos incorrectos ou mesmo correctos em relação à acessibilidade. Para além disso, é necessário ter em atenção os pontos que não são cumpridos. As soluções passam, portanto, pelos resultados da avaliação aqui apresentada.

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“Acessibilidade – Ver o mundo com outros olhos!”

Rectificação de alguns aspectos do Modelo Conceptual

Após a última aula, surgiram novas questões relativas ao desenvolvimento do sistema, sendo, por isso, necessário rectificar alguns parâmetros focados no artigo anterior.

Neste sentido, continuará a recorrer-se à metáfora do quadro e do giz (identificação com a realidade física da escola). Em todos os frames será dada a noção de que todos os conteúdos surgem no quadro embora a tipografia e os grafismos sejam trabalhados posteriormente e não através de fotos, como tinha sido dito anteriormente. O objectivo é, pois, o de conjugar a foto com a sobreposição de elementos produzidos virtualmente (texto e imagem). Estas rectificações foram feitas pois, após a experiência com fotos demonstrada no Protótipo Medium-Fi, chegou-se à conclusão de que vários factores contribuíam para que não se tivesse chegado ao efeito produzido. Pensou-se, pois, que sobrepor elementos produzidos virtualmente nas fotos faria com que se chegasse a um resultado mais interessante que o demonstrado no protótipo disponibilizado para download no artigo anterior.

Na primeira secção do cd-rom, o giz animado no canto inferior direito que serviria para o utilizador “saltar” a informação, será substituído pelo ícone “Saltar Intro”, sendo que este terá a mesma tipografia utilizada nos restantes conteúdos textuais do sistema.

Na segunda secção, as rectificações são exactamente as mesmas, sendo que apenas o quadro em si será constituído por uma foto e o resto dos conteúdos serão trabalhados posteriormente. É, então, necessário encontrar para todo o sistema um tipo de letra que se assemelhe ao aspecto da escrita num quadro com giz.

Na janela de conteúdos da secção explicativa, aparecerá no primeiro frame logo o conteúdo do primeiro item, neste caso “O que é a acessibilidade?”. Assim, o item aparecerá sublinhado com a respectiva cor, como tinha sido dito no artigo anterior. Porém, o fundo da janela será branco, embora seja alterado o contorno da mesma consoante o item escolhido e a sua respectiva cor.

“Acessibilidade – Ver o mundo com outros olhos!”

Protótipo Medium-Fi

Após ter publicado na semana passada um protótipo Lo-Fi (um rascunho pouco detalhado do sistema), esta semana publico um protótipo Medium-Fi. Este, embora não traga novidades em relação ao anterior, é mais detalhado e é baseado nas fotos que já foram tiradas para o posterior desenvolvimento do projecto no Macromedia Flash.

Este protótipo, como é óbvio, pode vir a sofrer várias alterações, sendo, por isso, necessário tirar novas fotos. No entanto, neste momento é importante publicar o trabalho feito até aqui para mais facilmente se perceber o aspecto, a forma como será conduzida a interacção do utilizador com o sistema e a apresentação dos conteúdos do mesmo.

Mais uma vez foi necessário publicar o protótipo num ficheiro Powerpoint, sendo, por isso, necessário fazer o download do mesmo.

Download aqui: prototipomedium-fi.ppt

“Acessibilidade – Ver o mundo com outros olhos!”

Protótipo Lo-Fi do sistema

Download aqui: prototipolo-fi.ppt

O protótipo Lo-Fi aqui apresentado é apenas um esboço feito em papel da interface do sistema. É, assim, um protótipo de baixa fidelidade (Lo-Fi), ou seja, um esboço aproximado, onde faltam muitos detalhes.

Nota: devido ao mau funcionamento do WordPress em relação a inserir várias imagens nos artigos, disponibilizo o protótipo em formato ppt (PowerPoint).

 

“Acessibilidade – Ver o mundo com outros olhos!”

Actualização do Modelo Conceptual

Nota: o artigo seguinte apresentará um protótipo Lo-Fi do sistema. Nesta fase, o protótipo é apenas apresentado como rascunho, sendo que na próxima semana conto publicar um protótipo mais detalhado, composto pelas fotografias mencionadas neste artigo e realizado em Macromedia Freehand.

Em primeiro lugar, é necessário focar o facto de ter sido obtida uma resposta negativa por parte da Escola EB 2,3 de Gomes Teixeira. Neste sentido, foi contactado o Colégio Luso-Francês do Porto, que prontamente marcou uma reunião com a sua Direcção para a próxima segunda-feira, dia 15 de Outubro.

Como referi no primeiro artigo referente ao Modelo Conceptual, o sistema será composto por duas secções, em que a primeira será uma introdução ao tema (acessibilidade) e a segunda uma breve descrição do mesmo.

Assim, o utilizador ao “entrar” no cd-rom visualizará automaticamente a introdução, sendo que poderá “saltar” a mesma (skip intro) a qualquer altura, passando, então, para a secção mais explicativa do sistema. Na introdução, o utilizador poderá ver uma espécie de “filme” introdutório ao conceito. Esta será, pois, uma narrativa linear sem grande necessidade de interacção por parte do utilizador, que apenas poderá “saltar” a introdução caso deseje.

Em todo o sistema, serão utilizadas metáforas relativas à escola e que remetem para o carácter educativo do cd-rom. Neste sentido, o design será constituído pelo quadro e pelo giz, utilizados nas escolas para fornecer informações aos alunos durante as aulas. Com o objectivo de conceder ao sistema um carácter real, serão tiradas fotos a um quadro nos diversos frames necessários ao desenvolvimento do projecto. Assim, não só o fundo (quadro) será real, como a tipografia (uso do giz para escrever no quadro o pretendido), as animações e as cores (uso do giz nas diversas cores). Na introdução do sistema, todos os frames serão constituídos, portanto, por fotos reais, embora posteriormente estas sejam trabalhadas no Macromedia Flash para lhes ser dada a apresentação e os comportamentos pretendidos.

A primeira secção do cd-rom será composta por 12 frames, sendo que todos eles serão constituídos por, basicamente, os mesmos elementos: o quadro como fundo, o elemento fulcral de cada frame no centro do mesmo e a representação de um giz (a saltar) no centro inferior direito, o que servirá para o utilizador “saltar” a introdução. Todos os elementos (texto e imagem) serão produzidos directamente no quadro e, no decorrer da apresentação, surgirão como se estivesse, a ser produzidos no momento. Por exemplo, a expressão “Era uma vez…” (que aparece em todos os frames que introduzem uma imagem, animação ou som e a sua posterior descrição) será apresentada letra a letras. Isto contribuirá para atingir o objectivo de criar uma interface similar e familiar a uma entidade física, ou seja, neste caso, à escola em si.

Na segunda secção do sistema, serão também utilizadas fotos do quadro e o aspecto do sistema manter-se-á consistente com a introdução. No entanto, nesta secção o objectivo é o conciliar o real com o virtual, havendo, por isso, aspectos em que se continua a recorrer ao giz e outra (uma pequena janela onde surgirão os conteúdos de cada item do menu) onde os conteúdos e o seu aspecto serão produzidos virtualmente. Assim, o fundo será constituído pelo quadro (que se mantém uma constante ao longo de todo o sistema) e o nome do sistema assim como o menu serão escritos no quadro com giz, tal como na primeira secção do cd-rom. Ao passar-se com o cursor por cima de cada item do menu, este ficará sublinhado com a cor que lhe estará inerente. Ao clicar no item, este ficará sublinhado enquanto o utilizador consulta o seu conteúdo, o que permitirá que este se situe, sabendo sempre onde está e o que está a visualizar. As cores utilizadas serão quentes e apelativas como o amarelo, o laranja, o cor-de-rosa, o verde escuro ou outras. Também o sublinhado será produzido no próprio quadro e, consequentemente, nas fotos utilizadas para a realização do cd-rom. Ao clicar no item pretendido, o utilizador poderá ver o conteúdo do mesmo numa pequena janela do lado esquerdo do menu (situado no lado direito da interface, na horizontal), sendo que não será aberta uma nova janela para a apresentação dos conteúdos. No primeiro frame da segunda secção, onde é apresentado pela primeira vez o menu, esta janela estará preenchida pelos símbolos referentes à acessibilidade (o símbolo do mundo físico e o dos sítios web acessíveis). Os conteúdos serão compostos por texto, imagem (pequenas infografias) e, caso necessário, setas que permitam ao utilizador avançar ou recuar nos conteúdos. Para além do mapeamento de cores ser feito através do sublinhado, é necessário realçar o facto de o fundo da pequena janela mudar segundo o item em questão e a cor que lhe está inerente.

Em relação aos itens do menu, os nomes atribuídos no protótipo apresentado no artigo seguinte poderão ser alterados, assim como a sua disposição.

As infografias serão estáticas e apresentadas os seguintes conteúdos: definição de “cidadãos com necessidades especiais” numa pequena secção referente às estatísticas da população portuguesa e “Acessibilidade e Computador” na referência às ajudas técnicas.

Como já foi dito no primeiro modelo conceptual, o design do sistema será, assim, simples e minimalista, não se pretendendo que este tenha um aspecto muito “infantilizado”, pois o público-alvo está na pré-adolescência, fase onde há uma enorme ânsia de crescer, de deixar de ser conotado como “criança”.

Sapo.pt 4 – Teste com utilizadores

Objectivo:

– Localizar vários serviços do Portal Sapo, entre eles: informação sobre o programa “Magazine Mulher” do canal televisivo SIC Mulher (objectivo 1); a “História da vinha e do vinho” na secção de “Vinhos” (objectivo 2); notícias locais relacionadas com o concelho da Madalena na ilha do Pico (objectivo 3) e, por último, a secção de “Nutrição” (objectivo 4).

Metodologia:

Foi utilizada a metodologia “Field Observation”, a mais utilizada pela eficácia do seu teste e facilidade na realização do mesmo na análise da usabilidade de sistemas interactivos. Esta metodologia tem como característica principal o facto de o utilizador ser observado a interagir com o sistema num ambiente natural, sendo que a pessoa submetida a observação interage com o sistema em cada tarefa que lhe é proposta à vontade, sem intervenção do observador. O inquirido tem, portanto, plena consciência de que está a ser observado e que os seus passos estão a ser registados para posterior avaliação.

Neste teste, recorreu-se a dois indivíduos com idades compreendidas entre os 20 e 22 anos, que tinham experiência de navegação na Internet. Foi-lhes, assim, pedido que testassem a facilidade de acesso na página web que lhes foi dada (o Portal Sapo) aos serviços referidos no tópico “Objectivos”.

Métrica:

A métrica usada neste trabalho foi:

1 – Número de cliques que cada utilizador deu até atingir o objectivo final;

2 – Quantidade de vezes que o utilizador errou; Nota: por cada 5 cliques desviados do objectivo final que o utilizador der é considerado um erro e o utilizador é colocado no passo que tentava encontrar, sendo-lhe pedido que continue a pesquisa a partir desse ponto.

3 – Tempo médio que o utilizador demorou a atingir o objectivo.

Técnicas de registo:

A técnica de monitorização (observação e registo) utilizada foi a análise de protocolo (registo de acções do utilizador), completada por uma tabela auxiliar de registo, onde foram anotadas as acções do utilizador (número de cliques, de erros e tempo médio).

Objectivo 1:

Home -> Vida e Lazer (Mulher) -> SIC Mulher -> Magazine Mulher

Objectivo 1

Passo (1) Passo (2) Passo (3)
Utilizador 1  
Cliques 2 1 1
Erros        
Tempo Médio 2m53s
Utilizador 2  
Cliques 2 1 1
Erros        
Tempo Médio 0m47s

Notas:

– Embora o utilizador 1 não tenha errado nenhuma vez e tenha alcançado o objectivo pretendido apenas com 3 cliques, ao observar o tempo médio da acção podemos perceber que este se sentiu perdido na elevada quantidade de menus e informação fornecida na página inicial do portal, tendo andado à procura da opção correcta para chegar ao destino pretendido.

– Ambos os utilizadores, ao ser-lhes dada a indicação de que o “Magazine Mulher” seria um programa do canal SIC Mulher, escolheram automaticamente o serviço “Televisão” indicado num dos menus do centro da homepage. Porém, ambos utilizaram o botão “Voltar” do browser para recuar à página inicial, tendo depois escolhido a opção “Mulher” no menu lateral “Vida e Lazer”. No entanto, o utilizador 1 perdeu muito tempo no serviço “Televisão” e, por isso, demorou quase 3 minutos a efectuar a operação proposta.

Objectivo 2:

Home -> Vida e Lazer (Restaurantes) -> Vinhos -> História da Vinha e do Vinho

Objectivo 2

Passo (1) Passo (2) Passo (3)
Utilizador 1  
Cliques 1 1 1
Erros      
Tempo Médio 1m10s
Utilizador 2  
Cliques 2 1 1
Erros      
Tempo Médio 0m55s

Notas:

– Mais uma vez, os utilizadores mostraram-se confusos e perdidos na imensa informação fornecida na página inicial do portal em análise.

– O utilizador 1 demorou quase 1 minuto a perceber onde estava a secção de “Vinhos”, tendo, depois, optado pelo serviço correcto, ou seja, “Restaurantes” no menu “Vida e Lazer”.

– Quanto ao utilizador 2, este começou por escolher a secção “Cultura” (menu lateral “Vida e Lazer”), tendo, depois, utilizado o clique sobre o logótipo do site para voltar à página inicial, onde seguiu o caminho correcto para alcançar o objectivo final pretendido.

Objectivo 3:

Home -> Notícias (Local) -> Açores -> Madalena (Ilha do Pico)

Objectivo 3

Passo (1) Passo (2) Passo (3)
Utilizador 1  
Cliques 3 1
Erros      
Tempo Médio 0m50s
Utilizador 2  
Cliques 1 1
Erros      
Tempo Médio 0m35s

Notas:

– Nesta operação, o utilizador 1 precisou de 3 cliques no primeiro passo, pois optou por, numa primeira fase, escolher a opção “Mais notícias” no sub-menu do menu “Notícias” ao centro da página inicial. Porém, utilizou, depois, o botão “Back” do browser para voltar à página inicial, onde, no menu “Notícias” lateral, escolheu a opção correcta.

– É importante realçar o facto de nenhum dos utilizadores ter necessitado de passar pelo mapa português fornecido pelo sistema, visto o sistema reconhecer que no computador utilizado já tinha sido escolhida a opção “Açores” e “Madalena” (ilha do Pico). Assim, o sistema assume as notícias locais da primeira escolha, sendo necessário alterar a opção para consultar as notícias de outras zonas do país. Isto pode dar origem a alguma confusão por parte do utilizador, visto as opções não serem consistentes. O utilizador pode, assim, sentir-se frustrado e perdido quando procura as notícias referentes a uma determinada região.  

Objectivo 4:

Home -> Directório -> Saúde -> Nutrição

Objectivo 4

Passo (1) Passo (2) Passo (3)
Utilizador 1  
Cliques 1 1
Erros      
Tempo Médio 0m30s
Utilizador 2  
Cliques 1 1
Erros      
Tempo Médio 0m20s

Notas:

– Nesta acção, ambos os utilizadores optaram por escolher a secção “Saúde” no menu lateral “Vida e Lazer”, acabando por chegar ao objectivo pretendido apenas com dois cliques.

– No entanto, é necessário notar que no menu do cimo da página (o menu da pesquisa), a opção “Directório” fornece igualmente o serviço “Saúde” e, consequentemente, o de “Nutrição”. Assim, considero que este seja o caminho mais curto, pois o menu da pesquisa é o primeiro a ser visto pelo utilizador quanto acede ao portal, fazendo com que este não tenha que utilizar o scroll para ter acesso ao menu lateral “Vida e Lazer”. Porém, esta acção foi bem executada por ambos os utilizadores, embora estes tenham enveredado por caminhos minimamente diferentes dos pretendidos.

Conclusões:

Após esta análise mais aprofundada do Portal Sapo e em que se recorreu a utilizadores para testar o mesmo, posso concluir, em primeiro lugar, que algumas questões levantadas na analise heurística se comprovaram, tendo, por outro lado, sido levantadas novas questões que, na altura do artigo já citado, não tinham sido consideradas relevantes.

Assim, é importante focar o facto de não serem dadas muitas “affordances” (pistas) ao utilizador tendo em conta o conteúdo de cada secção. É, pois, necessário ter em conta a importância de “affordances” num sistema que suporta e que oferece tantas informações e tão diferentes ao utilizador.

Para além disso, o excesso de menus na página inicial e o consequente excesso de informação, embora tenha como objectivo dar um maior controlo e liberdade ao utilizador, acabam por confundi-lo ainda mais, sendo, por isso, necessário, organizar a informação na página inicial, reduzindo, eventualmente, o número de menus e retirando as opções redundantes. No Portal Sapo é dada a possibilidade ao utilizador de alcançar o objectivo final tomando diferentes caminhos. No entanto, isto acaba por desorientar o utilizador. Por outro lado, gostava de focar a necessidade de, em conformidade com a diminuição de menus na página inicial, ser preciso a inserção de sub-menus nas páginas adjacentes aos menus principais. Todos estes aspectos levariam a uma maior prevenção de erros por parte do sistema e ajudariam o utilizador a encontrar a informação que necessita.

Como já havia sido focado no artigo onde foi apresentada a análise heurística do portal, o utilizador para voltar à página inicial (ou porque está perdido ou porque necessita de aceder a outro serviço que não o da página onde se encontra) tem que recorrer ao botão “back” do próprio browser. Embora o sistema dê a opção de voltar à página principal ao clicar no logótipo do site (no cimo da página), esta “affordance” não é suficiente visto nem todos os utilizadores associarem o logótipo à página inicial.

Em suma, penso que é óbvia a necessidade de melhorar o sistema em termos de organização de informação e de “affordances”, visto o utilizador não conseguir facilmente aceder aos conteúdos que necessita por reconhecimento, mas sim por lembrança.

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