Sapo.pt 3

Análise heurística segundo o modelo de Lavery

A análise heurística avalia a usabilidade das interfaces segundo uma série de princípios (heurísticas). O objectivo é, portanto, o de encontrar problemas que tornam o conteúdo menos usável.

Para esta terceira análise, optei por continuar a analisar o Portal Sapo, visto ter como objectivo chegar a conclusões mais aprofundadas sobre o site em questão.

Tendo em conta os dez princípios (heurísticas) de usabilidade propostos por Nielsen em 1994 e focados no último artigo, o modelo heurístico de Lavery propõe um levantamento de: 

a)     “Conformance Question”: o que deve o sistema fazer para satisfazer o princípio em causa.

b)     “Evidence of Conformance”: o que não está em total conformidade e pode ser alterado para melhor satisfazer o princípio.

c)      “Motivation”: quais os problemas que se tentam evitar com a conformidade ao princípio.

 1. Visibilidade do estado do sistema

a) O sistema fornece um feedback ao utilizador?

b) Em relação ao feedbak, ao passar com o cursor por cima de cada item a cor do mesmo muda de preto para azul. Ao clicar não é fornecido nenhum tipo de feedback a não ser o inerente ao próprio browser (na maioria das vezes sonoro).

c) O único feedback encontrado no site não provoca ansiedade ao utilizador pois é instantâneo. No entanto, em vez de ser utilizada apenas a cor azul, poderiam ser utilizadas outras cores que permitissem um melhor mapeamento dos conteúdos.

2. Ajuste entre o sistema e o mundo real

a) O sistema utiliza linguagens e conceitos familiares ao utilizador numa ordem natural e lógica?

b) O site apresenta, por vezes, uma relação entre uma figura e o respectivo texto do item. Porém, este é o único aspecto a realçar tendo em conta este princípio. Embora utilize linguagens e conceitos familiares ao utilizador, não são dadas muitas “affordances” (pistas) tendo em conta o conteúdo de cada secção.

c) O utilizador necessita, assim, de estar familiarizado com o funcionamento do portal, embora a maioria dos “botões” contenha texto. O excesso de menus na página inicial e a falta dos mesmos nas páginas adjacentes dificulta a navegação.

3. Controlo e liberdade do utilizador

a) O utilizador pode fazer o que quer, quando quer?

b) Na página inicial, os menus permitem que o utilizador aceda a todos os conteúdos inerentes ao portal. No entanto, nas páginas adjacentes não encontramos a presença dos menus assim como do item “voltar”, tendo o utilizador que recorrer ao “back” do browser. É de realçar o facto de o utilizador poder personalizar a página consoante as suas necessidades e as suas preferências.

c) O utilizador perde, assim, o controlo e liberdade das suas acções, tendo que recorrer à barra de funcionalidades do próprio browser para chegar onde quer. Para além disso, tem que voltar sempre à página inicial para aceder a outros serviços, à excepção da pesquisa e pouco mais (Mail e Messenger, por exemplo).

4. Consistência e standards

a) Os elementos do design, tais como os objectos e as acções, têm o mesmo significado em situações diferentes?

b) Em todas as páginas o logótipo do sapo.pt permite voltar à página inicial através de um clique do “rato”. Para além disso, podemos observar sempre a presença de uma barra no cimo do ecrã ao centro, onde se encontra o único menu que liga as várias páginas à principal.

c) O sistema apresenta-se consistente em relação aos objectos e acções apresentadas, embora em termos de navegação as escolhas não tenham sido as melhores, como já foquei no ponto anterior.

5. Prevenção de erros

a) O design previne os erros de utilização?

b) Os conteúdos encontram-se bem organizados na página inicial, sendo fácil a sua utilização. No entanto, como já foi focado, os problemas aparecem nas outras páginas, onde o utilizador fica quase incapacitado de navegar por e para onde quer.

c) O utilizador pode ficar frustrado por não conseguir consultar outros serviços enquanto consulta o serviço que escolheu anteriormente e por não conseguir voltar à página inicial. Isto demonstra, neste ponto, que o sistema não é totalmente eficiente.

6. Reconhecimento em vez de lembrança

a) Os elementos do design, tais como os objectos, as acções e as opções, estão visíveis? O utilizador é forçado a lembrar-se do caminho percorrido?

b) Na página inicial, todos os serviços estão disponíveis e a maioria deles tem o mesmo destaque, por isso apela-se mais ao reconhecimento do que à lembrança, embora não sejam utilizados muitos ícones figurativos. No entanto, como tenho vindo a referir até aqui, o utilizador necessita de recorrer ao browser para percorrer um novo caminho ou para lembrar-se do caminho percorrido até ao momento.

c) Estas questões dão origem a variados erros e desorientam o utilizador. É necessário apostar no reconhecimento e não na lembrança, pois a última, entre outros problemas,  dificulta a reestruturação do sitio web. O excesso de “links” na página principal dificulta o reconhecimento, sendo, assim, necessário sumariar os serviços, diminuindo o número de secções.

7. Flexibilidade e eficiência no uso

a) O utilizador pode customizar as suas acções ou utilizar atalhos?

b) Como já referi, na página inicial é dada a opção ao utilizador de personalizar a página consoante as suas preferências. Para além disso, são, também, apresentados atalhos para a secção de notícias e as suas sub-secções e para outros serviços. No entanto, nas páginas adjacentes não são apresentados atalhos para a maioria dos serviços, sendo necessário voltar à página inicial.

c) O utilizador pode sentir-se frustrado e desorientado com a fraca eficiência no uso do site.

8. Estética e design minimalistas

a) O site contem informação desnecessária e irrelevante?

b) A página principal apresenta informação redundante, sendo possível aceder a algumas secções no menu principal do site e nas secções em destaque no centro da página. Para além disso, os itens poderiam ser agrupados de outra forma, como por exemplo pelas estatísticas dos mais usados, juntando os serviços menos utilizados num plano inferior, com menos destaque.

c) Reduzir o número de opções da página principal pode facilitar a escolha por parte do utilizador. Para além disso, essa redução facilitaria a familiarização do indivíduo com o sistema.

9. Ajuda aos utilizadores para reconhecerem, diagnosticarem e recuperarem de erros

a) As mensagens de erro são simples e fáceis de entender? Descrevem o problema e sugerem soluções?

b) Neste campo, o portal apresenta situações antagónicas. Se por um lado na secção “Homepages” as mensagens de erros do login não são fáceis de entender nem apresentam soluções, na secção “Blogs” a mensagem é simples e indica os passos ao utilizador que lhe permitem resolver o problema.

c) O site deveria ser consistente em relação à apresentação e resolução de erros, principalmente relacionados com os registos e logins. Esta inconsistência pode causar frustração ao utilizador, que pode acabar por não conseguir resolver o problema em certos casos.

10. Ajuda e documentação

a) O sistema fornece algum tipo de ajuda e documentação de auxilio ao utilizador? Essas informações são fáceis de encontrar?

b) O sapo.pt apresenta em todas as páginas um tópico para “Ajuda”, onde pode ser consultado o mapa do site, os tópicos em destaque, as cinco questões mais frequentes, os downloads e os contactos. No entanto, na página inicial esta opção surge no fim da página, com um tamanho de letra muito pequeno, sendo difícil encontrá-lo. Nas outras páginas já é dado mais destaque a este item.

c) O sistema ideal não deve ter nenhum topo de ajuda nem documentação. No entanto, o mapa do site é muito importante para uma boa navegação e para uma melhor compreensão da estrutura da página e o caminho a seguir. Para além disso, pode funcionar como atalho para os diversos conteúdos.

Conclusão

Confesso ter tido algumas dificuldades na redacção deste artigo, visto ainda não ter conseguido definir e distinguir correctamente alguns dos princípios de usabilidade enunciados. Isto pode ter tornado o artigo um pouco repetitivo. No entanto, penso que com o tempo e com a experiência irei esclarecer de uma forma mais clara estes conceitos.

Depois da análise heurística posso concluir que o Portal Sapo tem graves problemas em relação ao controlo e liberdade do utilizador. A ausência de uma opção que ajude o utilizador a voltar à página principal e a presença das várias secções apenas na página inicial (à excepção de alguns serviços) constituem um entrave a uma navegação eficiente. Estes factores podem, assim, apelar à lembrança em vez do reconhecimento, o que é agravado pela falta de “affordances” (pistas) no site.

 

Advertisements
Posted in EAM. 1 Comment »

One Response to “Sapo.pt 3”

  1. Bruno Giesteira Says:

    Bom dia Filipa,

    Realço com particular interesse o sugerido vídeo que, para além de demonstrar pesquisa independente, ilustra com muita graça a falta de “affordances” e visibilidade do sistema. : )

    Bom trabalho!


Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: