Sapo.pt (versão 2)

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No artigo anterior, tentei fazer uma análise geral e superficial do portal Sapo, tendo em conta três parâmetros: usabilidade, acessibilidade e emotividade. Essa primeira análise focou aspectos que hoje, após ter tido um contacto mais aprofundado com o design de interacção e a sua aplicação, considero irrelevantes. Assim, neste artigo tentarei expôr mais correctamente alguns pontos não focados ou focados apenas superficialmente na última análise.

A usabilidade é um conceito que realça a necessidade de tornar um sitio web efectivamente fácil de usar por parte do utilizador. Para isso, é necessário ter em conta vários aspectos entre os quais o público alvo, as actividades que pretende desempenhar e as necessidades dos diferentes utilizadores. Os principais objectivos da usabilidade são, por isso, os seguintes: eficácia, eficiência e segurança no uso, ter utilidade e ser fácil de aprender e de lembrar como se usa. Para além disso, segundo Nielsen (2001), os príncipios da usabilidade são:

  • usabilidade do estado do sistema;
  • ajuste entre o sistema e o mundo real;
  • controlo e liberdade do utilizador;
  • consistência e standards;
  • ajuda aos utilizadores para reconhecerem, diagnosticarem e recuperarem de erros;
  • prevenção e erros;
  • reconhecimento em vez de lembrança;
  • flexibilidade e eficiência no uso;
  • estética e design minimalistas;
  • ajuda e documentação.

Assim, tentarei, durante esta análise, recorrer a estes príncipios.

O portal Sapo é mais utilizado para pesquisa, tanto de informação como de serviços. O utilizador que “entra” no sapo.pt tem, assim, um “objectivo padrão”: pesquisar. Nesse sentido, penso que o site em análise apresenta alguns aspectos positivos assim como negativos. Por um lado, penso que, em termos de usabilidade, o design do sitio web realça a tão falada pesquisa, com a caixa de texto logo no cimo da página principal com as suas diferentes secções (imagens, blogues, notícias, etc). Na minha opinião, isto torna a actividade predominante do site óbvia, o que enuncia o príncipio da visibilidade do estado do sistema. No entanto, penso que o resto da página apresenta demasiada informação. A divisão por secções funciona como um bom mapeamento, mas essas secções são apresentadas como sendo de igual importância, embora se note uma tentativa de mostrar ao utilizador que alguns serviços são mais relevantes que outros. Isto, no site em análise, é feito mostrando diversos itens no centro da página, como as “Notícias”, os “Destaques” ou a secção “Comunidade”. No entanto, penso que do lado esquerdo da página, onde estão todos os serviços disponibilizados pelo portal, há um excesso de informação. Na minha opinião, devia ter sido encontrada outra solução para este mapeamento, realçando, por exemplo, a secção “Serviços”, que me parece a mais relevante, com uma cor que realçasse, com as letras um pouco maiores ou até mesmo com um bold. Este mapeamento anularia alguns constrangimentos que podem estar inerentes ao excesso de informação e de itens apresentados na página inicial.

Um aspecto curioso deste portal é o facto de ser possivel personalizar a página, tendo em conta as preferências e necessidades dos utilizadores. Assim, do lado esquerdo podemos encontrar o item “Personalizar Página”. Ao clicar, encontramos várias opções, tais como: cor, largura da página e posição inicial dos separadores “Notícias” e “Destaques” (os separadores realçados ao centro da página inicial). Na minha opinião, isto vai de encontro a um dos objectivos do chamado design de interacção: criar um diálogo entre o conteúdo e o utilizador, facilitando a navegação. Para além disso, este aspecto vai de encontro com o principio do controlo e liberdade do utilizador proclamado por Nielsen em 2001. Gostaria, também, de notar, pelo lado negativo, o facto de ser dificil para o utilizador voltar à página inicial, visto esta opção ser dada apenas com o clique no logotipo do site ou então através da opção voltar do browser. Penso que seria importante a presença de um “botão” voltar na própria página para que o utilizador mais facilmente pudesse voltar à página inicial onde estão presentes, mais explicitamente, os conteúdos do site. Esta análise leva-me a outra solução para esta situação que poderia passar pela apresentação de um pequeno menu com os serviços mais procurados pelo utilizador em todas as páginas adjacentes. Neste sentido, penso que a inserção ou de um “botão” voltar ou de um pequeno menu nas várias páginas do Sapo serviria para prevenir erros que possam acontecer. Para além disso, contribuiria para uma maior flexibilidade e eficiência do uso do portal.

Em termos de feedback, o sapo.pt apresenta algumas falhas. Ao passar com o “rato” por cima de cada item este é realçado com outra cor. No entanto, após o clique não é enviada nenhuma informação de retorno sobre a acção, como por exemplo um som ou outra espécie de ênfase. Penso que, no caso do Sapo, uma pequena animação seria a melhor opção pois a maioria dos browsers, como por exemplo o Internet Explorer, respondem ao clique do “rato” com um som próprio.

Outro parâmetro relacionado com a usabilidade é a consistência, ou seja, o uso de interfaces com operações similares que facilitem a utilização e a aprendizagem. Penso que o portal Sapo explora este aspecto de uma forma correcta, tendo, por exemplo, em todas as páginas adjacentes a caixa de pesquisa no Sapo, menus simples e concisos, de fácil aprendizagem e registos e logins com instruções e formas de funcionamento idênticos. No fundo, a maioria dos serviços do portal funcionam com base no conceito de pesquisa inerente ao site, como podemos ver em secções como “Notícias”, “Leilões”, “Música”, “Automóveis”, etc. Penso que isto é um ponto a favor da consistência entre as diferentes páginas do portal. Para além disso, estes aspectos contribuem para a prevenção de erros; para ajudar o utilizador a reconhecer, diagnosticar e recuperar de erros e, também, para fomentar o reconhecimento em vez da lembrança.

“Affordances” (ou pistas) podem ser definidas como um objecto que permita a uma pessoa perceber como usá-lo. Neste caso não estamos a falar de objectos, mas sim de itens ou dos chamados “botões”. O Sapo tem algumas características interessantes, embora sejam características típicas dos vários portais. Assim, no lado direito da página inicial são apresentados cinco itens (“Mail”, “Amigos”, “Horóscopo”, “Tempo” e “Trânsito”) com, respectivamente, cinco figuras. Por exemplo, ao “Mail” é associado um envelope, ao “Tempo” um guarda chuva e ao “Trânsito” um carro. As figuras servem, assim, de pistas (assim como o nome de cada “botão”) para o que poderá ser encontrado em cada secção. Na secção de “Notícias” podem, também, ser encontradas as ditas pistas. O item “Desporto” tem associada a figura de uma bola de futebol, o item “Local” uma tabuleta de localização e assim sucessivamente. Na minha opinião, é muito dificil analisar a fundo a questão das “affordances”. Seriam necessárias algumas horas de navegação no site. No entanto, penso que os aspectos focados nesta análise constituem um ponto a favor para este portal. Para além disso, penso que exprimem um ajuste entre o sistema e o mundo real.

Gostaria de realçar a fraca preocupação deste portal em termos de acessiblidade em relação a pessoas com necessidades especiais. Enquanto navegava mais pormenorizadamente no sapo.pt tendo em vista esta análise, pude ver a falta de legendas nas imagens e vídeos e a sua não descrição; a fraca utilização de som e a falta de uma opção que melhore a acessibilidade consoante as necessidades especiais dos utilizadores mais incapacitados. Penso que isto é, também, um aspecto negativo tendo em conta o príncipio de usabilidade relativo à ajuda ao utlizador.

Penso que o design do portal Sapo está em consonância com o príncipio de estética e design minimalistas de Nielsen. No entanto, acho importante realçar o facto de, na minha opinião, um sistema com um design mais complexo poder ser tão fácil de usar quanto um caracterizado por um design minimalista. Basta, para isso, que sejam seguidos os vários objectivos e os vários príncipios da usabilidade tão falados nesta análise.

Assim, penso que, em termos gerais, o portal em análise tem aspectos positivos e negativos. Em termos de acessibilidade é clara a necessidade de mudança em consonância com os tempos de hoje. No entanto, posso concluir que, embora tenham sido focados e analisados vários aspectos negativos do portal, este tem em atenção o público alvo (vasto, mas que tem algo em comum: a busca por informação ou vários serviços), o contexto de uso (a pesquisa) e o tipo de tarefa (mais uma vez a pesquisa).

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Posted in EAM. 3 Comments »

3 Responses to “Sapo.pt (versão 2)”

  1. rachnroll Says:

    olá filipa, cá estou eu a comentar o teu post:
    concordo contigo na análise ao sapo.pt, na questão da ferramenta pesquisar estar destacada, sendo esse o principal objectivo do portal, a pesquisa. Achei curioso falares no feedback do sistema em relação a não haver ênfase nos cliques, de facto é verdade, também no site que analisei isso não acontecia, e já não me lembrava que o Explorer fazia.
    A mesma situação de ter de clicar no logotipo para voltar para trás, contrariando o princípio do controlo e liberdade do utilizador também acontece no site da TMN, no entando, tal como referes, o portal Sapo permite o utilizador personalizar a página de acordo com as suas preferências, o que acaba por dar uma solução ao utilizador para dar a volta a esta questão de usabilidade. Lá está, é uma solução para utilizadores mais experientes, não imagino alguém menos habituado a navegar na net a recorrer a essa solução.

  2. Bruno Giesteira Says:

    Olá Filipa,

    A análise pareceu-me bem fundamentada. Por ventura demasiado estanque em relação aos diferentes princípios de design e usabilidade…

    Nota: Julgo que no último parágrafo do artigo o termo “acessibilidade” deveria ser substituído por “usabilidade”, correcto?… : )

    Continuação de um bom trabalho!

  3. sarafreitas Says:

    Olá Filipa! Concordo com a tua análise em relação ao sapo. Em termos de usabilidade parece-me bastante confuso devido à grande quantidade de informação que armazena. Talvez fosse uma boa solução não revelar os items dos meuns principais na página de entrada. O acesso imediato a tanta informação causa ruído, um pouco como falamos quando o Nuno Regadas nos mostrou o moodle na primeira aula de EAM. A questão das affordances também não me parece minimamente retratada neste site.


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